As redes sociais têm vindo a mudar a forma como interagimos globalmente e, assim, têm-se tornado uma ferramenta transversal a vários campos de atividade, entre os quais se encontram os cuidados de saúde, com especificidades inerentes aos padrões éticos que norteiam a profissão.
É inegável que constituem oportunidades, não apenas no acesso à oferta de informação e recomendações práticas gerais à disposição dos pacientes, mas também promovendo interação rápida e eficaz entre pares.
É difícil afirmar, objetivamente, qual é o caminho que um paciente percorre para chegar até nós, mas diria que muito passa por informações obtidas junto de outros pacientes, pela presença nos meios de comunicação social e, certamente, pelas redes sociais. A minha experiência diz-me que as redes sociais permitem o acesso àquilo a que chamaria um portfolio digital, que integra imagens de procedimentos realizados, informação sobre os mesmos e sobre os especialistas que os realizam.
Os nossos pacientes mais novos são crianças levadas pelos pais, que quase sempre pretendem corrigir deformidades e/ou problemas respiratórios. Os mais velhos que se referem ao conteúdo das redes rondam os 70 anos.
Em relação à IA, a minha opinião é que se está a tornar comum o paciente chegar à consulta com uma bagagem de conhecimento, em termos de vocabulário e de técnicas e procedimentos passíveis de serem usados na cirurgia que deseja fazer, que não eram comuns num passado recente. Naturalmente, algum conteúdo é validado em consulta, havendo, por vezes, necessidade de desmontar ideias falsamente construídas a partir de informação não fundamentada. Esta tendência nota-se sobretudo nos mais jovens, não estando, porém, ausente em fases de maturidade etária.
Chegam-nos pacientes que se encontram entre os 30 e os 50 anos e admitem ter obtido informação através da IA.
Dr. Filipe Magalhães Ramos
Otorrinolaringologista
Diretor das clínicas de estética FMR






