Qual a importância da realização de rastreios?
Em Portugal, aproximadamente 4 em cada 10 adultos tem hipertensão arterial (HTA). No entanto, este número está provavelmente subestimado, sendo que a realização dos rastreios tem um papel fundamental para sinalizar mais pessoas acometidas e para chamar a atenção para esta doença / fator de risco modificável que é um dos principais responsáveis pelas doenças cérebro-cardiovasculares, nomeadamente o acidente vascular cerebral e o enfarte agudo do miocárdio.
Aumentou o número de pessoas atingidas?
Nos últimos anos a prevalência de HTA parece permanecer estável entre 31% e 42% dependendo dos estudos analisados. Mas se esta percentagem já é muito elevada, o cenário fica ainda pior se pensarmos que as pessoas com valores de TA >120/70mmHg são classificadas como tendo Pressão Arterial Elevada e efetivamente, apesar de não terem HTA (≥140/90mmHg), já têm um risco cardiovascular individual aumentado. É um verdadeiro problema de Saúde Pública!
Como é possível reduzir a dimensão da doença em Portugal?
Por um lado, é essencial consciencializar os Profissionais de Saúde para uma atitude pró-ativa e procurar ser mais ambicioso no controlo da doença. Por outro lado, é importante sensibilizar as pessoas a adotar um estilo de vida saudável, realizar atividade física regular, ter uma dieta equilibrada, reduzir o sal, não fumar e ter bons hábitos de sono. Estruturalmente, as estratégias de Saúde Pública deveriam focar-se na realização de melhores rastreios e no controlo da HTA em todas as faixas etárias. A criação de equipas multidisciplinares nos cuidados de Saúde Primários dedicadas à prevenção e seguimento desta patologia seria uma mais valia!
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Dr. Paulo Dinis
Cardiologista
Vogal da GERCV da Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Consultor ULS – Coimbra






