Com a chegada da primavera, muitas pessoas começam a notar um aumento da queda de cabelo. Apesar de poder gerar preocupação, este fenómeno é, na maioria dos casos, temporário e faz parte do ciclo natural do cabelo. Ainda assim, é importante compreender o que está na sua origem e quando deve procurar ajuda especializada.
A chamada queda de cabelo sazonal ocorre, sobretudo, durante a primavera e o outono. Está relacionada com alterações naturais do organismo e com fatores ambientais.
O cabelo passa por diferentes fases: crescimento (anágena), transição (catágena) e queda (telógena). Durante a primavera, um maior número de fios de cabelo entra na fase telógena, levando a uma queda mais acentuada.
O aumento da exposição à luz solar influencia a produção de determinadas hormonas, como a melatonina, que pode afetar o ciclo capilar. Estas variações contribuem para uma maior renovação dos fios de cabelo.
Fatores acumulados do inverno
Durante o inverno, o cabelo pode sofrer mais agressões:
• menor exposição solar
• défices vitamínicos (como vitamina D)
• maior stress ou alterações de rotina
A primavera acaba por refletir esse impacto acumulado, levando a uma queda mais evidente.
Na maioria dos casos, a queda sazonal dura entre 4 a 8 semanas. Durante este período, é normal notar:
• mais cabelo na escova ou no banho
• diminuição temporária da densidade
• fios de cabelo mais frágeis ou finos
Se a queda persistir por mais de 2 a 3 meses, pode já não ser apenas sazonal e deve ser avaliada por um especialista.
Como distinguir queda sazonal de alopécia?
Nem toda a queda de cabelo é normal. É importante saber identificar sinais de alerta.
Queda sazonal (normal)
• duração limitada (até 2 meses)
• queda difusa (em todo o couro cabeludo)
• sem falhas visíveis
Possível alopécia (necessita avaliação)
• queda prolongada
• rarefação em zonas específicas
• diminuição progressiva da densidade
• histórico familiar de calvície
A alopécia, sendo uma condição médica, deve ser diagnosticada precocemente para evitar a sua progressão.
O que fazer para reduzir a queda de cabelo na primavera?
Embora seja um processo natural, existem formas de minimizar o impacto e promover a saúde capilar.
1. Garantir um diagnóstico adequado
O primeiro passo é perceber a causa da queda. Um diagnóstico médico capilar permite identificar se se trata de uma queda sazonal ou de uma condição como a alopécia androgenética.
2. Apostar numa alimentação equilibrada
Nutrientes essenciais para o cabelo incluem:
• ferro
• zinco
• biotina
• proteínas
Uma alimentação equilibrada ajuda a fortalecer o folículo capilar e a reduzir a queda.
3. Evitar agressões ao cabelo
Durante este período, é importante:
• reduzir o uso excessivo de calor (secador, prancha)
• evitar produtos agressivos
• optar por cuidados capilares suaves
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Deve procurar avaliação médica se:
• a queda durar há várias semanas
• notar zonas com menos cabelo
• tiver histórico familiar de alopécia
• sentir que o cabelo está progressivamente mais fino
O diagnóstico precoce é essencial para travar a evolução da queda e alcançar melhores resultados.
A queda de cabelo na primavera é, na maioria dos casos, um processo natural e temporário. No entanto, ignorar sinais persistentes pode atrasar o diagnóstico de condições que requerem tratamento.
Se tem dúvidas sobre a sua queda de cabelo, o mais importante é não adiar a avaliação. Hoje existem soluções eficazes, seguras e adaptadas a cada caso, que permitem cuidar da saúde capilar de forma integrada e com resultados naturais.
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Dr. Carlos Portinha
Médico
Diretor clínico do grupo Insparya






