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Terminadas as eleições para o Parlamento Europeu, em território nacional e fora dele, fica o gosto amargo da realidade política que reina entre os Portugueses, estejam eles nas Comunidades ou em Portugal.

A participação eleitoral, embora suficiente para justificar aumento de Deputados em alguns Partidos foi, na verdade, miserável. Em Portugal apenas 27% dos cidadãos com direito a voto resolveram exercê-lo e no estrangeiro pouco mais de 1% o fez.

Embora fora do país existam causas que justificam a baixa percentagem, pois como sempre o voto é dificultado em vez de facilitado, desta vez com a facilidade do lado de quem estivesse recenseado em Portugal, pois embora residindo do estrangeiro, era possível votar através da internet, enquanto que aqueles recenseados nos Consulados das suas áreas de residência tiveram de enfrentar o já conhecido problema das longas distâncias a cobrir, com os respetivos gastos, visto nestes casos o voto ser presencial.

Além disso, e uma circunstância que também se revelou adversa, foi o facto da existência de uma opção prévia entre o voto nos partidos locais ou nos portugueses, opção que, caso não fosse feita, deixava apenas a possibilidade de votar nos candidatos nacionais, facto que à partida não deveria acarretar problemas, mas, por ser desconhecido em várias mesas de voto, embora constasse no Regulamento Eleitoral, teve como triste consequência que vários votantes tivessem sido impedidos de exercer o seu direito, pois não tinham optado previamente.

A legislação portuguesa prevê pena de um ano de prisão para quem vote, simultaneamente, no país onde reside e naquele de origem, mas a verdade é que não há provas de que existam “viciados” no voto, a correrem para votar aqui e ali, mais ainda com as dificuldades já acima elencadas. Dificultar um processo em vez de simplificar o mesmo, equivale a falhanço programado.

Seja como for, os Portugueses votaram pouco. Mesmo muito pouco. Porquê? Acharam talvez que as eleições para o Parlamento Europeu tinham pouca importância; embora diariamente os governantes repitam, ad nauseam, que não é possível melhorar a Saúde, a Educação, os Transportes, etc., isso custa muito dinheiro e se Portugal gastar mais dinheiro fica desacreditado em Bruxelas, onde reside o citado Parlamento?

Nauseante, tudo isto. Talvez seja essa uma das razões que leva os Portugueses a não votar, estão compreensivelmente enjoados de ouvir, dia após dia, promessas que não se concretizam, assim como a já lendária inevitabilidade de não haver dinheiro para despesas urgentes e prementes porque Bruxelas, ou o Banco Europeu, ou lá o que for, não permitem que melhoremos, por pouco que seja, o nosso nível de vida.

E assim, as pessoas concentram-se na sua vida do dia-a-dia, no seu trabalho, se o tiverem, nos jogos do Benfica-Sporting, nas lutas entre clubes desportivos, nos detalhes íntimos da vida das vedetas, nos regulares escândalos financeiros, que levam a população a concluir que para os malandros há dinheiro mas para quem trabalha honestamente não há nada.

Reina a insatisfação, mas é uma insatisfação passiva, um deixar-andar, a conformidade de quem acha que já não há nada a fazer e que apenas resta esperar que venha “alguém” que nos tire, finalmente, da miséria quotidiana.

A população portuguesa, no país ou no estrangeiro, encontra-se num estado de marasmo, causado pelo princípio da impossibilidade, da impotência, refletido em chavões ouvidos constantemente, como: “Eles fazem o que querem” ou, “eles têm a faca e o queijo na mão”.

“Eles”, subentendido, os políticos ou os governantes.

E assim continua tudo como está, ou quase, porque a maioria da população já está tão conformada com o seu destino que nem pensa em arranjar coragem ou energia para modificar o mesmo, utilizando a arma do voto, que claro não faz milagres mas pode conseguir melhorias.

Entretanto, os cidadãos continuam em modorra, um vasto contingente de Belas-Adormecidas e Belos-Adormecidos, aguardando o beijo de um príncipe ou princesa que os desperte para uma vida melhor.

E, na verdade, estes príncipes ou princesas podem até existir, mas se não os ajudarmos, votando neles, nada feito.

Os Portugueses em território nacional são explorados pelo Fisco, em 2008 entraram diariamente nos cofres do Estado, devido ao aumento os impostos, quase 6 milhões de euros.

Melhorias, devido a tal, não se viram, mas protestos também não.

No estrangeiro, de onde os Portugueses enviam também milhões para aquele que ainda consideram o seu país de origem, nada melhorou. Os serviços consulares são caros, as crianças e jovens lusodescendentes continuam a ser obrigados ao pagamento da vergonhosa e discriminatória “Propina” caso desejem ter aulas da sua língua e cultura identitária, porque as aulas de Português gratuitas estão reservadas aos alunos estrangeiros, alegando os responsáveis que é esse o melhor modo de dignificar a nossa língua noutros países.

Protestos contra este deplorável estado de coisas? Poucos ou inexistentes. Ignorar, ou dormitar em inércia política é mais fácil e confortável, pelo menos por algum tempo.

Porém, a longo prazo, as consequências da indiferença, desdém, alheamento, afastamento, dos cidadãos pela política no nosso país poderão ser muito graves e assim um dia, em vez de termos pela frente o agradável semblante do Príncipe, poderemos ser confrontados com as verrugas da Bruxa.

 

LusoJornal Artigos

 

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