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Cultura

 

“A ideia para este projeto surgiu-me quando, por acaso, fotografei três mulheres, todas elas paradas de olhos fixos no mar, mergulhadas nos seus pensamentos. Três mulheres que, à primeira vista, não podem ser mais diferentes. Nasceu aqui o título ‘Mulher Plural’”.

É deste modo que a fotógrafa portuguesa a viver nos Países Baixos explica a origem deste trabalho que dará corpo à exposição que estará patente na Maison du Portugal André de Gouveia, na Cidade Universitária de Paris, entre 9 de junho e 4 de julho. Uma exposição enquadrada na Temporada França Portugal 2022.

A exposição é composta por fotografias de mulheres anónimas em várias partes do mundo e propõe a reflexão sobre o que a diversidade no feminino nos consagra.

Recentemente expostas na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa, estas fotografias partem do arquivo de Ana Carvalho. “Nos meus arquivos tinha muitas fotografias de mulheres anónimas em cenários de várias cidades”, explica a artista, “cada uma delas um indivíduo, uma personalidade, uma personagem e, mais do que tudo, a protagonista de uma história por contar. Esta diversidade sempre me fascinou, até por contrariar a tentativa de uniformizar, encaixar a mulher num modelo único”.

Para Ana Calçada, curadora da exposição na Biblioteca de Alcântara, Ana Carvalho possui um “impulso, atento por observação constante do mundo que a rodeia e onde passa para o sentir, é o registo de uma leitura social e estética, numa narrativa que nos inquieta, apelando ao nossos sentidos e convocando emoções”.

Esta exposição parte de um questionamento, que é também um desassossego, da artista depois de estudar as maneiras como a mulher é representada na arte urbana: “porquê representar a mulher assim e não doutra maneira? Quem o fez e em quem pensou concretamente? Num modelo?”

E partindo desse questionamento, Ana Carvalho tenta dar às mulheres retratadas “uma vida, uma história, uma identidade, uma alma”.

Na opinião de Ana Calçada, “a Mulher tem na obra de Ana Carvalho uma presença múltipla que nos permite percecionar a relevância do feminino no rodar do mundo global, onde diversidade e desigualdade são visíveis e plasmadas as multiplicidades culturais, cruzando a técnica com a leveza da arte. Esta é pois a diversidade que o feminino nos consagra”.

 

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