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Na quinta-feira, dia 6 de junho, às 18h30, na Delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian, foi apresentada a antologia “A l’ombre du clair de lune – Fragments choisis de Maria Gabriela Llansol”. Os textos foram escolhidos por João Barrento, Presidente do Espaço Llansol. A apresentação da obra ficou a cargo de Sílvia Baron Supervielle, poeta e escritora e de Guida Marques, tradutora e ainda de Carolina Leite (Editions Pagine d’Arte).

Maria Gabriela Llansol é uma escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, e trabalhou em áreas relacionadas com questões educacionais. Em 1965, deixou Portugal para se fixar na Bélgica, onde viveu em exílio até 1984, tendo depois regressado a Portugal. Llansol é considerada uma autora de escrita hermética e de difícil compreensão para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea.

A sua carreira literária iniciou-se com “Os Pregos na Erva” (1962), obra em que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida “Depois de os Pregos na Erva” (1972), “O Livro das Comunidades” (1977), “A Restante Vida” (1983), “Na Casa de Julho e Agosto” (1984), “Causa Amante” (1984), “Contos do Mal Errante” (1986), “Da Sebe ao Ser” (1988), “Um Beijo Dado Mais Tarde” (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, “Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso” (1994), “Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música” (1995), “Ardente Texto Joshua” (1998) e “Onde Vais Drama Poesia?” (2000).

Os diários “Um Falcão em Punho” (1985) é segundo a plataforma Wook “considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, e “Finita” (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a conceção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora.

Uma das características mais relevantes de toda a sua produção “consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspetos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam”.

Levando às últimas consequências a criação de um universo próprio que desde os anos 60 é de uma grande singularidade na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz “estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc”.

O evento foi realizado em parceria com a Cátedra Lindley Cintra da Universidade Paris-Nanterre, o leitorado da Universidade de Paris 8, Casa de Portugal André de Gouveia e Instituto Camões, e foi realizado no âmbito do programa de comemoração do centenário do ensino de português na Sorbonne (1919-2019).

 

Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França

39 boulevard de la Tour-Maubourg

75007 Paris

Entrada livre

 

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