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A exposição “Emotional Rescue”, do artista francês Olivier Nottellet, foi inaugurada na quinta-feira e mantém-se na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, até 28 de setembro, com “um conjunto de imagens e de signos simples, com ambições poéticas”.

Olivier Nottellet inaugurou uma exposição de desenho e pintura sobre papel, que, diz à Lusa, traz “um conjunto de imagens e signos simples, com ambições poéticas, e uma grande economia de meios”.

“Emotional Rescue” é o resultado de uma residência artística desenvolvida durante três semanas, em abril, na ilha de São Miguel, a convite de Fátima Mota, proprietária da Galeria Fonseca Macedo, onde Nottellet agora expõe. “Quando a Fátima propôs esta exposição, fiquei muito feliz e propus esta residência, porque no meu trabalho estou sempre a tentar trabalhar sem grande dinheiro, penso sempre de forma económica, coisas simples. Queria experimentar com essas coisas”, explicou.

O título da exposição foi roubado a uma canção dos Rolling Stones, que ouvia na juventude. “Adoro o título, porque é o que precisamos e há um contraste entre este título e estas imagens, que são pobres. Soa tão simples e o meu trabalho artístico é tentar ser pobre – pobre não é mau, é só muito simples”, afirmou.

Para Olivier Nottellet, que costuma expor murais e instalações de grande dimensão, a mostra que é hoje inaugurada é um passo marcante, porque, para o artista, que desenha muito, esta é a primeira vez que faz “uma exposição tão importante, com tantos desenhos e com tantas cores, também”.

Com este trabalho, serve-se de imagens “poéticas, para abrir as portas” do seu “espaço mental”, que “é um espaço paradoxal, porque é ao mesmo tempo muito espaçoso, sempre em movimento, em expansão, mas, ao mesmo tempo, tem alguns signos que detêm o olhar. Ao mesmo tempo, também há coisas que andam a flutuar e, nesse espaço, há coisas que se agarram”.

Entre risos, avançou que “a ideia da exposição não é fazer com que os visitantes fiquem malucos”, mas procurar criar imagens que não sejam imediatas, afastando-se de “imagens criadas para que se perceba uma coisa de uma determinada forma”.

“Estou farto disso. Queria imagens muito simples, como signos – só alguns detalhes, sombras, um pedaço de um corpo. Todas estas coisas juntas parecem fazer uma conversa, uma história aberta, uma história que, suponho, fala sobre mim, mas que fala sobre todos. Uma conversa entre os signos”.

Esse diálogo surge, também, na técnica utilizada, que combina a pintura com o desenho: “O fundo dos quadros são pinturas em ‘freestyle’ que fiz sem pensar muito, mas aparecem símbolos que dialogam com esse fundo. O desenho aparece para sublinhar o ponto de convergência com quem vê. É nesse ponto que ponho o símbolo”.

Para o artista, que elege como “pior inimigo” o “ponto de vista único”, a criação “é como uma brincadeira – é preciso combinar, mudar, tentar entender, não entender, ter uma opinião e, por vezes, mudar, voltar duas horas depois e ser diferente, esquecer, e outra coisa surge”.

Em “Emotional Rescue”, serviu-se das suas memórias, algumas das quais passam pela ilha das Flores, onde viveu entre os seis e os dez anos e de que guarda recordações “muito importantes”.

“Para uma criança foi muito impressionante estar no meio do oceano. Tudo era incrível e muito romântico”, afirmou.

Chegou ao ponto mais ocidental da Europa pela mesma razão que o levou a tantas outras partes do mundo: o trabalho do pai, militar francês ao serviço do Centre d’Essais des Landes, que foi destacado para a Estação de Telemedidas das Flores, onde eram estudadas as trajetórias de mísseis balísticos lançados na base, em Biscarosse, França, ou a partir de navios ou submarinos.

Na infância aprendeu a falar português, mas as constantes mudanças fizeram com que perdesse o contacto com a língua, ainda que mantenha “na memória algumas palavras, alguns sons”, que o ajudam a compreender muito do que é dito.

A constante mudança também inspirou uma peça que estará patente na exposição – “uma caixa de cartão, que tem lá dentro uma maçaneta de uma porta atrás de um vidro, muito frágil. É um símbolo extraído do contexto. Não é uma escultura, nem é uma ferramenta já feita”, explicou.

Olivier Nottellet é professor de desenho e pintura na ENSBA, em Lyon, e o seu trabalho combina pinturas de parede monumentais, instalações, desenho em papel e objetos. Já expôs em sítios como a Bienal de São Paulo (2012), Centro Regional de Arte Contemporânea (2013), Domaine de Kerguéhennec (2015), Galerie Eva Steynen-Antuérpia (2017), e GmoMA-Gyeonggi Seul (2018).

“Emotional Rescue” está na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, marcando a pré-abertura do Festival Walk & Talk, já que integra programa do certame, mas marca também a celebração do 19º aniversário da galeria.

LusoJornal Artigos

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