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A Associação O Sol de Portugal, de Bordeaux, acaba de editar o livro “Secrets d’étoffes et histoires – paroles d’immigrants”, com 230 páginas de testemunhos de gente que emigrou para França, não apenas Portugueses, mas também de outras origens.

“Os nossos pais e os nossos amigos estão a envelhecer e nós pensávamos que era altura de fazermos alguma coisa para que essa memória viva que vai desaparecendo com eles, precisamente não desapareça” explica ao LusoJornal uma das copresidentes da associação, Isabel Pereira Vincent.

O livro começa com um texto de introdução do antigo Cônsul Geral de Portugal em Bordeaux, Marcelo Mathias e depois seguem-se testemunhos de emigrantes recolhidos em encontros organizados durante cerca de três anos, a partir de 2015.

“Os encontros foram muito variados, organizados de forma muito diferente segundo as pessoas. Alguns tiveram lugar em Centros sociais, com várias pessoas, outros foram feitos na associação, por vezes num bar, a tomar um café, e até nas casas das pessoas. Por vezes uma pessoa convidava dois ou três amigos” lembra Isabel Pereira Vincent ao LusoJornal.

O mais difícil foi começar este exercício de tomada da palavra. Os membros da associação começavam a contar as suas próprias histórias, as memórias que têm da chegada a França. “É verdade que não é fácil começar a falar. Alguns até tinham esquecido algumas coisas e quando nós estávamos a falar da nossa própria história, eles foram-se lembrando de situações idênticas que aconteceram com eles”.

“Alguns estavam muito emocionados, quase a chorar. Eu lembro-me de um senhor que nos disse que o que nos contou, nem os netos sabiam e agradeceu-nos por termos ido ao encontro dele” diz a copresidente de O Sol de Portugal. “Ele sabia que, mesmo desaparecendo, por nosso intermédio, o testemunho da história dele ficava para os netos. Foram pessoas que ficaram muito contentes e são essas coisas que nos fazem continuar. Vamos continuar essa recolha junto de Portugueses porque este senhor também nos fez chorar e lembrou-nos o quanto é importante não deixar morrer esta história”.

Numa segunda parte, o livro apresenta cartaz escritas na primeira pessoa e enviadas a alguém a contar como chegaram a França e a lembrar anedotas que lhes tinham acontecido. “Nós pedimos às pessoas para escreverem cartas. Alguns foram eles que escreveram, outros escrevemos nós a partir do que nos diziam e demos-lhes para verificarem”. Algumas dessas cartas foram escritas aos avós, a pessoas que já faleceram, outras aos netos. Por exemplo, uma das pessoas escreveu a uma vizinha…

A própria Isabel Vincent, que chegou a França com 7 anos e meio, escreveu à avó. “Foi realmente o que eu senti quando cheguei aqui, foram os meus primeiros dias de chegada. Não escrevi na altura à minha avó, mas contei-lhe tudo quando regressei a Portugal”.

Este projeto não implicou só Portugueses, também tem testemunhos de outras pessoas, do Brasil à Argélia e a Marrocos, do Congo ao Vietname. “No fundo são histórias de vida, porque estas histórias são como as nossas e nós queríamos precisamente mostrar que afinal vivemos as mesmas dificuldades. Isto não se passou só com Portugueses, mas também com pessoas de outras origens. Afinal somos todos iguais”.

A associação O Sol de Portugal foi criada em 1981 e vai comemorar no próximo ano, 40 anos de existência. Tem a particularidade de nunca ter tido nenhum homem na presidência da associação e atualmente a coletividade tem 3 copresidentes.

O livro pode ser encomendado no site da associação:

https://osoldeportugal.com/secrets-detoffes-et-dhistoire/

 

Entrevista:

 

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