Atina Ribeiro na 39ª sessão do Clube de Leitura do Sabugal



A 39ª sessão do Clube de Leitura do Sabugal aconteceu no dia 11 de dezembro, na Biblioteca Municipal do Sabugal. Foi convidada deste encontro Altina Ribeiro, autora do livro “Dona Zezinha. A vida singular de uma professora” (Editora Alma Letra, 2022), a biografia de uma regente que ensinou durante 37 anos, no tempo da ditadura de Salazar, entre a Guarda e o Sabugal.

Natural de uma aldeia da raia trasmontana do concelho de Chaves, mas a viver em França desde os nove anos de idade, Altina Ribeiro regressou, para este encontro literário, à região do Sabugal, que descobriu pela primeira vez em 2017, após a publicação do livro em francês, e à qual voltou em 2022, aquando da apresentação da obra, em Vilar Maior, por Júlio Marques, antigo professor de Filosofia no ensino secundário e superior, e também autor do segundo prefácio do livro.

Neste regresso à génese do livro, Júlio Marques, outrora colega de Carlos Alexandre, filho de D. Zezinha, no Seminário, voltou a marcar presença ao lado da autora.

Inserido no contexto do ensino e da educação salazaristas, “Dona Zezinha, a vida singular de uma professora” é o fruto das histórias narradas à escritora pelo filho da docente.

O livro evoca a difícil relação entre Carlos Alexandre e a sua mãe, Zezinha, uma salazarista convicta, que se viu na obrigação de contrariar as suas crenças fascistas quando, desejando poupar o filho ao serviço militar e à guerra colonial, o enviou clandestinamente, a salto, para França.

Júlio Marques convidou os participantes a viajar no tempo e a entrar na vida de D. Zezinha, percorrendo a cronologia dos acontecimentos políticos mais marcantes do século XX. Destacou o caráter histórico da obra, que permite apreender as condições existentes nas aldeias do ponto de vista social, económico e cultural, a austeridade e as dificuldades desses lugares esquecidos, muito condicionados pelos valores do Estado Novo, do Estado autoritário, do Estado fascista, e também pela própria Igreja.

Mais de cinquenta anos após a odisseia da emigração para França, histórias como estas, que retraçam percursos individuais vividos na primeira pessoa, contribuem para o dever de memória coletiva, que adquire uma dimensão emocional acrescida nas regiões onde este fenómeno teve mais impacto, como foi o caso do concelho do Sabugal.

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Amália Fonseca

Coordenadora do CLA da Universidade Aberta no Sabugal

LusoJornal