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O LusoJornal deu notícia, na sua edição de 22 de maio, da visita de Augusto Lima, Vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão com os pelouros da economia, empresas, turismo e internacionalização, à região Hauts-de-France, entre os dias 14 e 16 de maio.

O autarca português foi recebido nas Mairies de Roubaix, Tourcoing, Wasquehal e visitou diversas empresas na região.

Quase dois meses depois da visita, LusoJornal quis saber quais os resultados e portas que se abriram para futuras cooperações.

 

Como surgiu a ideia de vir apresentar Vila Nova de Famalicão na região Hauts-de-France?

O Município de Vila Nova de Famalicão tem em curso um programa de diplomacia urbana para a internacionalização do concelho, chamado VNF Alliance. O aprofundamento de relações de cooperação institucional, económica, cultural e social entre cidades e regiões internacionais, gerando parcerias entre empresas, centros de investigação, universidades e estudantes, é, resumidamente, um dos principais objetivos estratégicos deste programa. Estamos muito interessados numa verdadeira e profícua aproximação a esta região francesa, por diversas razões, desde logo, pela forte presença de uma Comunidade portuguesa e de Famalicenses, em particular. E, ao mesmo tempo, através da marca Famalicão Cidade Têxtil, que pretendemos também divulgar fora de Portugal, contribuindo para a sua afirmação e elevando assim o nome do concelho. E, por isso, encetámos contactos para a realização de um conjunto de visitas e reuniões bilaterais, que estamos agora a iniciar e que, espero, possam resultar numa relação sólida e cada vez mais forte.

 

Qual o objetivo da sua vinda?

Por um lado, foi um primeiro contacto para estabelecer parcerias em diferentes áreas entre a região Hauts-de-France e Vila Nova de Famalicão. Por outro lado, pretendeu dar a conhecer o nosso concelho ao nível económico, social, cultural e turístico. Esta é uma fase em que estamos a trabalhar para criar as condições necessárias ao estabelecimento de uma aliança coletiva para a internacionalização do concelho de Vila Nova de Famalicão e para a criação de condições efetivas para a sua atratividade e abertura ao mundo. Se tal for possível, como esperamos, com os Hauts-de-France, seria fantástico!

 

Que resultados pode já referir?

Posso adiantar que esta visita superou as nossas melhores expectativas. Estamos já a trabalhar para promover outras iniciativas, nomeadamente uma missão inversa a Vila Nova de Famalicão, no próximo dia 4 de julho. Estou certo de que, com a ajuda do nosso tecido empresarial, social, educativo e institucional e dos nossos cidadãos, vamos conseguir estimular novas práticas de abertura e interação em contexto internacional, levando mais Vila Nova de Famalicão ao mundo e trazendo mais mundo até Vila Nova de Famalicão.

 

Outros contactos estão desde já previstos?

Naturalmente. Estamos muito empenhados em fortalecer esta cooperação com a região Hauts-de-France. Todos com quem interagimos enriquecem a nossa cultura, a nossa maneira de ser e o nosso concelho. Este é o caminho a seguir e Famalicão está a fazê-lo bem. Temos que saber capitalizar para o território o fenómeno da globalização e a nossa circunstância europeia, aproveitando a cada vez maior facilidade ao nível de circulação de informação e de mobilidade de pessoas.

 

Nesta vinda foi também questão de geminação com uma localidade de França, falou-se de Wasquehal. Será um próximo objetivo?

Um eventual acordo de geminação com Wasquehal é uma possibilidade que admitimos, mas que neste momento é apenas uma intenção.

 

Na sua apresentação, há uma estatística que surpreendeu todos os presentes: a taxa de desemprego de 3,5%. Como consegue Vila Nova de Famalicão este resultado?

O Município de Vila Nova de Famalicão está com uma taxa de desemprego na ordem dos 3,5%, um valor muito próximo do pleno emprego. É verdade que ainda há um caminho a percorrer pela qualidade do trabalho, mas esta acentuada descida do desemprego é algo que muito nos satisfaz. Estes resultados devem-se ao forte contributo de muitos atores e agentes que tiveram a capacidade de arriscar e o interesse em ajudar a construir um futuro melhor. Devem-se também ao mérito das empresas, dos empresários e das instituições da economia social, mas também à importância reconhecida que a Câmara Municipal de Famalicão concede à empregabilidade e à capacitação do território, através da formação e da qualificação de recursos humanos. A questão da empregabilidade é decisiva para o crescimento inclusivo e a formação profissional é um desígnio que deve merecer a atenção de todos.

 

O Presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha, é favorável à regionalização. Quer-nos explicar a razão?

Depois de ter considerado “um logro” o atual modelo de descentralização, é público que o Presidente da Câmara Municipal de Famalicão considera que a verdadeira descentralização só se cumpre com a regionalização administrativa. Defensor convicto, há muitos anos, de uma divisão administrativa baseada em regiões, Paulo Cunha não tem dúvidas de que a inexistência de uma estrutura administrativa regional acaba por ser a razão primeira para muitos dos problemas que as autarquias hoje enfrentam. E embora reconheça a existência de uma “convergência intuitiva” entre municípios que tem conseguido suplantar algum défice de organização e de investimento nacional, é verdade que dificilmente se poderá fazer mais se não se avançar para as regiões administrativas.

 

Vila Nova de Famalicão, um exemplo a seguir?

Uma coisa é certa: para cultivar é necessário semear.

 

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