Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Donativos LusoJornal

 

No tempo de Jesus, predominava uma mentalidade “geográfica” da santidade: para os judeus, quanto mais longe de Jerusalém, menores eram as possibilidades de salvação. Quem habitava na Judeia poderia ainda salvar-se, mas as populações da Samaria e da Galileia (regiões de fronteira, habitadas por populações mistas) dificilmente encontrariam benevolência aos olhos de Deus.

No Evangelho do próximo domingo, dia 5, é-nos descrita a cura de um surdo-mudo mas, para além do milagre em si, vê-se que o texto se preocupa em informar-nos do lugar onde tudo se passou: Jesus estava numa região chamada “Decápole”, que correspondia a uma liga de dez cidades gregas, não sujeitas às leis judaicas e, por isso, vistas pelos judeus como um território completamente à margem dos caminhos da salvação, onde a ação de Deus seria altamente improvável.

É claro que esta página não é “apenas” a narração de uma cura prodigiosa, mas é uma catequese, uma “parábola viva” onde aprendemos que Deus não faz distinção entre povos e que a Sua salvação está ao alcance de todos os homens e mulheres.

De acordo com o Evangelho, Jesus pronunciou a palavra “effathá” (“abre-te”), quando abriu os ouvidos e “soltou” a língua do surdo-mudo. Não se trata de uma fórmula mágica, com especiais virtudes curativas: “effathá” é um convite! É um convite ao homem fechado no seu mundo a abrir o coração à vida nova da relação com Deus e com os irmãos. É uma proposta feita a todos nós para que abandonemos os nossos esquemas de exclusão, racismo e xenofobia e abracemos a mensagem de fraternidade sem fronteiras que Jesus revelou com a sua vida!

 

Religião
X