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A associação Convívio Lusófono, dirigida por João Heitor, organizou no sábado passado, no Café Louise, em pleno “quartier latin” um “Brunch Literário” para apresentação do livro de Fernando Carmino Marques “Sobre outra coisa ainda”, 13 contos curtos editados pela “Edições Esgotadas”.

Fernando Carmino Marques viveu em França entre 1982 e 2003. Foi músico, gravou aliás canções de Gil Vicente, e foi professor na Sorbonne. Regressou entretanto a Portugal e é professor no Instituto Politécnico da Guarda.

“Grande parte do que sou, devo ao que aprendi em França, sem dúvida alguma. Ficarei para sempre grato pela minha passagem em França e ficarei sempre ligado à Comunidade portuguesa que aqui me ajudou e compreendeu. São coisas que a gente nunca esquece, de forma alguma” disse ao LusoJornal. “Quanto à música, tenho abandonado um bocadinho porque a minha inspiração tem ido mais para as letras, para a escrita e para a poesia, mas qualquer dia a inspiração musical pode aparecer novamente”.

Para João Heitor, “este livro marca uma etapa no conto, nas histórias contemporâneas de Portugal. Introduz todo um universo psicanalítico, quase à Alain Poer. Começamos a ler a primeira história e não paramos sem chegar ao fim. E ele liga as personagens nos 13 contos, o que é difícil”. Aliás, João Heitor apresentou recentemente este livro em Viseu, onde se encontrava de passagem. E foi nessa altura que convidou Fernando Marques a vir a Paris.

“São contos fantásticos, poderemos até chamar-lhe de realismo mágico, embora partindo sempre de situações reais, mas que se transforma em algo… sobre outra coisa ainda, porque a vida, para mim, é sempre sobre outra coisa ainda…” diz por seu lado Fernando Carmino Marques, fazendo alusão precisamente ao título do livro: “Sobre outra coisa ainda”.

João Heitor sonha já em fazer uma edição bilingue desde livro, “e sobretudo introduzi-lo nas mediatecas e nas bibliotecas francesas”.

O princípio dos “Brunchs Literários” que a associação quer organizar à cadência de um por mês, são simples: juntar artistas, escritores, poetas, pintores,… “mas não só, porque estamos abertos a toda a gente” lembra Bruno Heitor, filho de João Heitor. “Eu já começo a estar cansado, mas o meu filho tem-me motivado muito. Diz que o pai e mãe lhe transmitiram esta biculturalidade e ele está implicadíssimo nisto, é o obreiro disto tudo” diz João Heitor, ao mesmo tempo emocionado e feliz por ter a família reunida à volta dos projetos com que sempre sonhou.

E continua a sonhar: “O meu sonho era continuar o Lusofolies com outra dimensão, um centro cultural, uma fundação, uma cooperativa, onde o livro, a arte, a música, se pudessem conjugar” conta ao LusoJornal. João Heitor foi livreiro, editor e geriu durante algum tempo o Lusopholies, um café artístico perto da Gare de Lyon.

Para já garante que vai organizar outro evento no dia 4 de maio e está previsto uma comemoração dos 45 anos do 25 de Abril, em colaboração com a Mairie de Paris 11.

Durante a tarde de sábado, houve leituras, o músico Sou – “diz-se ‘shou’ porque pronuncio em Mirandês” – cantou um tema e José Bernardino cantou a “Pedra Filosofal”, que aliás acabou por ser cantada pela sala inteira.

“É importante reencontrar as pessoas e manter viva a presença da cultura portuguesa em França. Há pessoas aqui que têm feito um trabalho que às vezes não é reconhecido: manter uma cultura. Porque se não formos nós, ninguém o faz por nós” conclui Fernando Marques, visivelmente contente por estar novamente em Paris. “Estarei sempre disponível para vir, nem que seja já amanhã, voltarei outra vez”.

 

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