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A Associação Mogadouro no Coração organizou, no domingo passado, dia 1 de março, um almoço tradicional da região de Mogadouro, com Casulas e Bulho, Alheiras e Linguiça. O almoço contou com a presença de representantes da Confraria Gastronómica das Casulas, que se deslocaram expressamente de Mogadouro para este evento.

“A nossa associação organiza quatro eventos por ano, e todos eles têm algo a ver com Mogadouro. Neste caso, como estamos no Carnaval, servimos um almoço tipicamente da minha região” explica Olímpia Garnacho, Presidente da associação e Cozinheira profissional.

No dia anterior, a associação e a autarquia organizaram um desfile de Carnaval com bombos pelas ruas da cidade e com a queima do “Senhor Carnaval” num dos parques desta localidade a norte de Paris. No domingo, o almoço teve lugar no ginásio da cidade.

“Este prato é tradicional do planalto mirandês e o Bulho é um enchido que se faz com a tripa grossa do porco, onde se metem as carnes que se recuperam da costela, da barriga… tudo aquilo que não dá para fazer nem chouriço, nem salpicão” explica Olímpia Garnacho ao LusoJornal. “E é um prato que se come no Carnaval”.

“Primeiro, as pessoas descascavam os feijões e davam as cascas aos pobres que as cozinhavam” explica Ângelo Pereira da Confraria das Casulas. “As Casulas são esses mesmos feijões, secos, mas ainda têm os feijões dentro e não são apenas as cascas”.

O feijão é seco, retira-se as pontas e é cozinhado para servir com o Bulho. “Há pessoas que acham que tem mau aspeto, mas depende da forma como o prato é apresentado. Se a apresentação for boa, as pessoas vão provar e depois de provarem, ficam deliciadas” garante Ângelo Pereira.

Pelo menos as cerca de 250 pessoas que almoçaram no domingo ficaram deliciadas. Apenas as crianças tiveram direito a um prato simplificado. “Habitualmente temos tido uma média de 350 pessoas, mas este ano, não sei se foi por causa do Coronavirus, tivemos menos, mas mesmo assim está bem composto” confirmou Olímpia Garnacho.

“As pessoas não conheciam, os amigos que vinham a minha casa por esta altura do ano, ficavam surpreendidos porque não conheciam este prato, e então veio-me a ideia de realmente fazer o Carnaval e escolher como prato as Casulas e o Bulho, a Alheira e a Chouriça porque são pratos mesmo tradicionais da minha região”. E a Presidente da associação – que também foi a principal impulsionadora da geminação entre as duas localidades – acrescenta que “este prato come-se muito no inverno. Tinha-se perdido quando vieram as modernidades, mas graças a Deus voltou-se a recuperar e existe uma Confraria das Casulas”.

A Confraria Gastronómica das Casulas existe precisamente para fazer a promoção deste prato tradicional. “Paris tem uma Comunidade portuguesa bastante alargada, as Casulas, apesar de serem portuguesas, são sobretudo tradicionais na região do norte. É importante mostrar-lhes o que são as Casulas e promover a nossa região” diz Paulo Bártolo, o Grão Mestre da Confraria.

“Foi através da associação que descobri as Casulas e há cerca de 10 anos que organizamos esta festa de carnaval e sempre à volta das Casulas” explica o jovem Jérémy da Cruz, também membro da associação. “Eu sou de Boticas, e o que é engraçado neste grupo é que só a D. Olímpia é que é verdadeiramente de Mogadouro, senão somos todos de outras regiões, da Beira, Minho…”

A atividade permanente da associação é o seu grupo de bombos. “Quase todos os membros da associação fazem parte deste grupo de bombos. Somos um grupo muito unido, é uma segunda família” confessa Jérémy da Cruz que toca concertina neste grupo. “E temos muitos jovens” acrescenta Olímpia Garnacho.

Jérémy da Cruz é também músico e cantor e coube-lhe animar a tarde. Com um órgão fez dançar quase toda a gente. “É sempre um prazer cantar aqui porque tenho a associação toda atrás de mim, são os meus primeiros fãs, já conheço o público, é sempre um prazer tocar cá em casa” disse ao LusoJornal antes de subir ao palco.

 

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