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Uma Conferência intitulada “Caminho da Memória das Comemorações Centenárias de 1916, 1917, 1918 e 1919 do Corpo Expedicionário Português em França e em Paris”, numa iniciativa da recentemente criada Delegação de Paris da Liga dos Combatentes Portugueses, teve lugar este sábado, na Mairie de Paris 14.

O historiador Yves Léonard disse à Lusa que hoje “há muitos estudos muito interessantes” sobre a presença dos Soldados portugueses nas trincheiras da Flandres, mas sublinhou que os Franceses ainda desconhecem a participação lusa na Grande Guerra. “É importante em França falar sobre este assunto, porque ninguém em França sabe exatamente que Portugal foi um país beligerante durante a Primeira Guerra Mundial ao lado da França”, afirmou o autor de “Histoire du Portugal Contemporain”.

A mesma constatação foi feita pelo historiador Georges Viaud, Presidente da delegação parisiense da Liga dos Combatentes, que explicou à Lusa que uma das suas “missões” é “fazer conhecer a História de Portugal aos Franceses”.

“Uma coisa que eu constatei é que os Franceses não conhecem a História de Portugal. Apreciam os Portugueses, são gratos pelo trabalho que fazem, pelo espírito dos Portugueses, mas não conhecem nada da História de Portugal”, afirmou o historiador, precisando que “a intervenção de Portugal era muito conhecida pelos jornais da época, mas depois desapareceu da memória”.

O pouco que subsiste, sublinhou o historiador Manuel do Nascimento, é, por exemplo, uma pequena rua chamada “Avenue des Portugais”, em Paris, o Monumento aos Mortos da Grande Guerra, em La Couture, assim como o Cemitério Militar Português de Richebourg, no norte de França, com 1.831 campas de soldados lusos, e que é candidato a Património Mundial da Unesco.

O Conselheiro de Paris Hermano Sanches Ruivo – Presidente de honra da Delegação de Paris da Liga dos Combatentes, ao lado de Yves Léonard e do Deputado francês Pascal Cherki – adiantou que várias cidades e associações estão a trabalhar para divulgar junto do grande público a presença histórica dos soldados portugueses em França.

“De facto, a participação portuguesa não é conhecida. Lembro-me de um almoço com Generais, há seis anos, quando se estava a falar sobre a Primeira Guerra e o Centenário, e eles estavam a descobrir a presença portuguesa”, recordou, sublinhando que esse desconhecimento se estende a muitos Portugueses que vivem em França.

Hermano Sanches Ruivo avançou que ontem de manhã houve uma reunião com várias associações, representantes de diferentes cidades e o Adido militar junto da Embaixada de Portugal em Paris para preparar o “plano de atividades de 2018”, que vai contar com exposições, conferências e a criação de um monumento para “prestar homenagem a todos os Soldados que não foram sepultados”.

 

 

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