Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Odete Branco trabalha na área social, mas também é dramaturga e tinha atualmente em cartaz, em Paris, a peça de teatro “Florbela, La soeur du rêve” da qual é autora. A peça, sobre Florbela Espanca, foi interrompida por causa da pandemia do Covid-19, mas, confinada em casa, Odete Branco aproveita para denunciar os cortes dos sucessivos Governos na área da saúde.

 

Como está a passar este período?

Trabalho na área social, mas encontro-me em casa, nos arredores de Paris.

 

Está preocupada com a situação atual de pandemia?

Sim, com bastante apreensão, porque a expectativa de ter um serviço de saúde digno caiu por terra diante dos relatórios catastróficos apresentados pelos Hospitais públicos em França. As restrições e cortes orçamentais na área da saúde contribuíram para a situação atual, as perdas humanas inerentes a esta catástrofe epidémica, o número de vítimas a aumentar consideravelmente e um pessoal do meio hospitalar cansado física e moralmente face à precariedade de meios humanos e materiais, vinda de longe e que ainda há poucos meses alertavam o Governo através de manifestações vergonhosamente reprimidas pelo mesmo Governo. Como não estar preocupada agora, se já antes desta situação, os hospitais se encontravam em situação complicada?

 

Quando esta situação estiver ultrapassada, o que espera do ‘novo mundo’?

Que os diversos Governos revejam as prioridades sociais e humanas em termos de investimentos e que a humanidade reveja a forma como levou a natureza aos limites do suportável. Será também de importância capital sair do individualismo. Urge mais humanismo e solidariedade. Que as culturas diversas se aliem para partilhar saberes, e criarem novos horizontes favoráveis às gerações futuras.

 

Comunidade
X