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O realizador português Nuno Escudeiro acaba de ser premiado no Canadá e estreou em França o documentário “La Loi de la Vallée”, sobre a relação de forças entre civis e autoridades no apoio a migrantes na Europa.

O filme foi premiado no festival de cinema Hot Docs, em Toronto, e foi exibido na sexta-feira em Paris, numa sessão na Ordem dos Advogados. Durante o fim de semana foi transmitido aos canais televisivos franceses do Senado e Arte.

Em Paris, Nuno Escudeiro explicou à Lusa que “La Loi de la Vallée” foi rodado na fronteira entre França e Itália, na região dos Alpes, onde as comunidades locais de Roya e Durance ajudaram migrantes que procuravam refúgio na Europa.

O filme segue um grupo de voluntários que presta assistência a migrantes sem documentos oficiais, contornando assim o sistema legal, num ato de desobediência civil que causou polémica em 2016.

Nuno Escudeiro viu-se compelido a filmar e a testemunhar um de muitos casos de acolhimento de refugiados, num ato de “participação na História dos nossos tempos”, disse. “Precisamos de ter consciência da nossa História, de voltar a ter empatia e de mostrar humanidade. Esta é uma questão do nosso tempo. O medo é uma emoção normal, mas a verdade é que o número de refugiados que chega à Europa é baixo”, disse.

E o realizador lamenta que ainda não haja “uma resposta séria e forte” por parte dos Estados europeus para a crescente legitimação dos discursos radicalizados.

Nascido em Tomar em 1986, Nuno Escudeiro estudou em Aveiro e decidiu emigrar em 2012, ano em que “a alma do país estava muito negra e em baixo”. Viveu na Finlândia, mas atualmente reside em Itália, sem vontade ainda de regressar a Portugal. Trabalhou em publicidade, nas áreas do teatro e da dança e é autor ainda do documentário “Moon Europa” (2016).

 

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