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O sociólogo francês Edgar Morin elogiou o papel de Portugal na defesa dos valores da Europa do Sul e na “construção de pontes e diálogos” com o resto do mundo.

“Portugal é o maior defensor da cultura do sul e do seu prazer pela vida” que o norte da Europa “já esqueceu”, disse o filósofo, na apresentação do livro “Lusofonia e Francofonia – a aliança da Latinosfera”, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“Estou a pensar seriamente em instalar-me e viver em Portugal”, adiantou o filósofo de 96 anos, gerando um aplauso e sorrisos entre os participantes na cerimónia.

O ex-Ministro João Soares respondeu à provocação e reforçou o convite ao filósofo para que imigrasse, dando como exemplo a escolha de muitos dos seus compatriotas franceses que escolhem Portugal para gozarem as reformas. “Nós vivemos a quarta invasão francesa”, disse, entre sorrisos, João Soares, que também agradeceu a Edgar Morin o papel de “consciência crítica” da Europa.

“Não esqueço o seu papel importante histórico que teve no processo democrático de Portugal” e “exprimo-lhe aqui a minha gratidão”, disse João Soares, numa referência ao acompanhamento feito pelo antropólogo sobre o 25 de Abril e o período que imediatamente se seguiu.

Pelas suas origens sefarditas, Edgar Morin tem condições preferenciais para obter a nacionalidade portuguesa à luz da legislação que favorece a atribuição da cidadania a descendentes dos judeus expulsos da Península Ibérica, nos séculos XV e XVI, salientou a ex-Ministra Maria de Belém Roseira.

Na sua intervenção, Maria de Belém recordou o papel da lusofonia e da francofonia na afirmação das culturas de vários países. Uma língua é um “veículo de comunicação e de relação”, mas também de “difusão do acesso ao conhecimento a que todos têm direito”, disse a Deputada socialista.

A coordenadora do livro, Isabelle Oliveira, docente da Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris, sustenta que as duas línguas (francês e português) constituem opções à globalização anglófona do mundo.

Por isso, explicou, este livro, que junta artigos de investigadores sobre o papel de cada língua, pretende “construir uma ponte” entre os dois mundos. “Ao alargar-se a fronteira do conhecimento, alarga-se também a nossa perceção do desconhecido e a nossa compreensão dos outros, fortalecendo os laços que nos unem a a nossa forma de estar num mundo globalizado”, defendeu.

 

 

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