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A Comunidade portuguesa em vários países europeus planeia passar as férias de verão em Portugal, mas aguarda com expetativa mais informações sobre a forma mais segura de o fazer, estando mais inclinada a fazer a viagem de carro.

A Lusa contactou Conselheiros das Comunidades na Alemanha, França e Suíça, tendo de todos obtido a garantia que é propósito destes emigrantes visitar a família e os amigos em Portugal.

Alfredo Stoffel vive na cidade alemã de Sassnitz e é Conselheiro das Comunidades portuguesas neste país, onde vivem 114.705 cidadãos nascidos em Portugal e onde são cada vez mais os Portugueses que o abordam na tentativa de apurarem como poderão viajar em segurança para Portugal no verão.

A grande dúvida é o transporte e percurso a realizar, uma vez que estando aberto o espaço aéreo europeu, as companhias aéreas só agora começam a retomar alguns voos.

Mas mesmo que as ligações comecem a ser mais frequentes, os Portugueses na Alemanha estão mais inclinados a fazer a viagem de carro, atravessando assim as fronteiras terrestres e percorrendo os corredores que, entretanto, deverão estar abertos. “Há quem esteja a pensar sair da Alemanha via Holanda, Bélgica, França, Espanha e Portugal. Outros pretendem ir ela Suíça, França e Portugal ou através do Luxemburgo”, explicou.

Nestes dias, Alfredo Stoffel tem-se desdobrado em explicações e conselhos aos Portugueses, sublinhando a importância de esclarecerem todos os pormenores e dúvidas. “Mesmo que os corredores em França e Espanha estejam abertos, não podendo parar nesses países, mas apenas circular, é preciso assegurar que podem abastecer as viaturas e terem espaços para descansar”, disse.

Reconheceu, contudo, que os corredores são uma boa ideia e um primeiro passo para quem pretende ir de carro.

E deixa outro aviso: “É importante informarem-se sobre a ida, mas também a vinda”.

Em relação ao avião, as dúvidas recaem sobre os riscos da proximidade física e também os preços, que são para já uma incógnita.

Alfredo Stoffel não tem dúvidas de que ir a Portugal no verão é o desejo de toda a comunidade, principalmente depois de se verem impedidos deste regresso durante a Páscoa, como costuma ser habitual.

O Conselheiro em França Paulo Marques, que também preside à Associação dos Eleitos Portugueses e Luso-Franceses (Cívica) em França, tem-se desdobrado em contactos com a Comunidade portuguesa que reside neste país, mas também em outros estados europeus.

“Temos tido imensas solicitações e a todos explicamos tanto o que o Governo francês determina, como o que está previsto em Portugal”, disse à Lusa. Paulo Marques encontra nestes Portugueses muita vontade de visitar a família e os amigos em Portugal, mas reconhece que as dúvidas continuam a ser muitas.

“A abertura das fronteiras é necessária para que as famílias possam ter um real desconfinamento social e poderem estar em proximidade com os seus”, disse.

Em França, onde residem 595.900 nascidos em Portugal, continuam a existir várias zonas vermelhas, com muitos casos de Covid-19, como em Île-de-France, onde Paulo Marques reside. Por isso, atravessar este território ainda “coloca uma série de questões, nomeadamente sobre a segurança das pessoas”.

“Temos de evitar que pessoas infetadas levem a infeção a zonas com poucos casos, como acontece em Portugal, nomeadamente em zonas como o Algarve, um dos destinos mais procurados para férias no verão”, disse.

Por outro lado, avançou, França está a apelar ao turismo no território – tal como Portugal está a fazer – e, principalmente os mais novos, com menos ligações a Portugal, poderão aproveitar para conhecer melhor o país.

Paulo Marques acredita que se os Portugueses e a Comunidade de franceses de origem portuguesa deixarem de visitar o país de origem, um terço da economia do interior de Portugal fica por concretizar.

Em relação ao meio de transporte, este Conselheiro identifica uma grande maioria inclinada para o transporte terrestre, aproveitando assim os corredores definidos por França e Espanha, que permitirão a viagem até Portugal.

José Inácio Sebastião, Conselheiro na Suíça, país com 217.662 residentes nascidos em Portugal, afirmou à Lusa que é grande a expetativa dos Portugueses em relação ao verão. “A Comunidade quer ir, quer voltar a ver a família, os amigos, mas também tem muito medo da Covid-19. Não sabem se vai haver uma nova vaga e por isso estão apreensivos”, afirmou.

Inicialmente, esta Comunidade viajava até Portugal por via terrestre, mas depois passou a usar mais o avião, tendo em conta que os preços ficaram mais acessíveis. Agora, disse José Inácio Sebastião, estão a ponderar mais ir de carro.

“A minha perspetiva é que a maior parte dos emigrantes vá a Portugal de carro, atravessando as fronteiras terrestres e circulando nos corredores de trânsito em França e Espanha”, adiantou.

Às dúvidas existentes juntaram-se agora as relacionadas com o regresso ao trabalho, pois alguns patrões solicitaram a alteração dos dias de férias, o que pode obrigar a uma alteração dos planos destes Portugueses.

Para ajudar os Portugueses que queiram visitar Portugal no verão, a associação Cap Magellan lançou na segunda-feira um site que reúne informação oficial sobre o estado das fronteiras entre Portugal e França. “Nós vamos divulgar as possibilidades que existem, quais são as obrigações, os cuidados, as recomendações e como estamos numa lógica de deslocação entre França e Portugal, falamos de três países. Temos de ver as realidades em França, Espanha e Portugal”, explicou Luciana Gouveia, Delegada-geral da Cap Magellan, em declarações à Lusa.

Além da informação sobre as fronteiras para quem pretenda chegar a Portugal de carro ou avião, o site tem ainda informações sobre as regras do desconfinamento no país, desde as medidas em vigor nas praias e piscinas até aos restaurantes.

 

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