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O Eurodeputado comunista Miguel Viegas veio a Paris para uma ação de campanha no quadro das eleições para o Parlamento Europeu e esteve na sede do Partido Comunista francês de Paris 20, para uma reunião com militantes comunistas portugueses. A lista da CDU é liderada por João Ferreira, que já é Deputado no Parlamento português e Vereador da Câmara municipal de Lisboa, mas dessa lista faz parte, também, Raul Lopes, Conselheiro das Comunidades Portuguesas, dirigente associativo e militante do PCP em Paris.

“É o reconhecimento da importância das Comunidades” diz Raul Lopes ao LusoJornal. “Da mesma forma que a lista da CDU tem candidatos do continente, das ilhas, do interior e da orla marítima, também é importante ter um candidato das Comunidades”.

“Os emigrantes são uma parte muito importante da população e é natural que se apresentem numa lista que concorre às eleições. Nós vivemos uma realidade que é difícil de compreender para quem não está cá, por vezes, por muito boa vontade que haja, não vivendo as situações é difícil representar as Comunidades” confirma por seu lado Sara Conceição, também militante do PCP em Paris. “O Raul Lopes é um camarada excecional, disponível, competente, trabalhador, sério, uma pessoa honesta, uma pessoa de convicções e de ideais”.

Também para Miguel Viegas é natural que os emigrantes participem nesta lista. “É um sinal, porque nós temos um apreço enorme pela nossa Comunidade no estrangeiro” disse ao LusoJornal. “Importante não apenas por razões quantitativas, mas também por razões qualitativas, de importância da afirmação do nosso país lá fora e do prestígio que a nossa Comunidade tem em muitos países onde essa Comunidade reside. Desse ponto de vista, eu penso que é obrigatório que todas as listas reflitam também a importância que a nossa Comunidade no estrangeiro tem para Portugal e com particular destaque para a Comunidade que vive em França que é bastante importante, que tem uma influência muito grande e que é reconhecida pelo seu papel de uma Comunidade séria, trabalhadora, que se adaptou bem e que está aqui completamente integrada dentro daquilo que é a sociedade francesa”.

O mais difícil vai ser mesmo fazer campanha eleitoral neste contexto. O número de eleitores no estrangeiro subiu de 300 mil para 1,4 milhões, mas em França, muitos optam votar pelos candidatos franceses, até para não terem de se deslocar centenas de quilómetros até ao Consulado mais próximo. Miguel Viegas defende a abertura de mesas de voto descentralizadas. “O Governo devia ter respondido há muito tempo a este problema. Ninguém faz 200 km para votar”.

O PCP sempre defendeu o voto presencial “como sendo o mais seguro, que garante por um lado o secretismo do voto e a vontade do cidadão” afirma Raul Lopes. Mas o problema é que esta fórmula exclui muitos eleitores que vivem longe dos Consulados. “Esse é um problema. A questão é que deveria haver um desdobramento de assembleias de voto” e Raul Lopes acusa o Governo de “restrições financeiras” que impedem a abertura dessas mesas de voto descentralizadas. “Neste momento estão a ser suspensas Permanências consulares por falta de verba para pagar os transportes aos funcionários. Isso resulta também de um constrangimento decorrente das imposições da União Europeia”.

Miguel Viegas diz que não é “especialista nessa matéria”, mas começa por explicar que “o voto presencial é uma realidade dentro do Parlamento Europeu, um Parlamento recente que está sempre na vanguarda das novas tecnologias, mas ainda assim o voto é presencial, nós assinamos manualmente as nossas presenças, os registos e as atas”. Mas o ainda Eurodeputado sabe que a tecnologia está a avançar. “Vai haver uma experiência piloto em Évora onde o voto eletrónico vai ser experimentado. O progresso está aí, nós não podemos estar indiferentes, não custa acreditar que mais tarde ou mais cedo surjam condições mais cómodas para votar. E é nesse sentido que nós acompanhámos, sem obviamente estarmos agarrados a qualquer tradição. O que nós queremos é um processo perfeitamente transparente e absolutamente fiável do ponto de vista democrático” disse ao LusoJornal.

Na reunião falou-se essencialmente do projeto europeu. “Nós somos tão ou mais europeístas do que os outros. Mais Europeu do que eu, não pode haver. Eu nasci em França, no Val-de-Marne, voltei para Portugal e estou sempre dividido porque esta pátria diz-me muito” diz Miguel Viegas ao LusoJornal. “Mas o que nós queremos são outras políticas. Esta União Europeia foi construída com base num modelo de integração com uma ideologia neoliberal muito marcada, que procura pôr trabalhadores em concorrência uns com os outros para nivelar por baixo os direitos sociais e laborais. Nós queremos propor uma outra União Europeia com base num modelo de cooperação, ao serviço da coesão social, porque 20 anos depois do euro, com uma outra política, se tivéssemos tido um trajeto de convergência, se o nível de vida dos Portugueses e das outras economias periféricas, se tivesse aproximado da média da União Europeia, dos países mais ricos, se calhar hoje não estaríamos a falar nem de Brexit, nem estaríamos preocupados com o que se passa na Itália e em muitos países onde o euroceticismo cresce. O euroceticismo cresce contra as políticas de austeridade que foram impostas aos povos, ao mesmo tempo que se vivia um clima de completa impunidade fiscal para as multinacionais que são as grandes beneficiárias desta integração. Nós somos europeístas, queremos é uma outra Europa, com outras políticas”.

Agora os Comunistas de França têm 15 dias para convencer os eleitores a escolher os seus candidatos. “Na emigração, a campanha é sempre difícil e diferente daquela que se faz em Portugal, quanto mais não seja porque a população está dispersa” confessa Sara Conceição. “Nós temos a ideia de uma Comunidade como se vivêssemos todos no mesmo quarteirão, mas de facto não, nós vivemos todos muito dispersos, a campanha desenrola-se neste contexto difícil”.

E esta é uma eleição importante, como explica Raul Lopes ao LusoJornal, “porque no Parlamento Europeu são tomadas decisões que dizem muito ao cidadão português e ao país. Reforçando a votação na CDU, elegendo mais Deputados no Parlamento Europeu, os interesses do país e do povo serão defendidos, porque o PCP não tem um discurso no país e outro diferente no Parlamento Europeu. É o mesmo discurso em que o desenvolvimento do país, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo se defende” concluiu.

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