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Pedro Marques, o candidato socialista, cabeça de lista às eleições europeias, esteve em Nanterre, na sexta-feira passada, numa ação de pré-campanha eleitoral organizada pelo Deputado Paulo Pisco.

Pedro Marques é economista e deixou as funções e Ministro do planeamento e das infraestruturas, para encabeçar a lista do PS.

 

O que veio dizer aos Portugueses de Nanterre?

No nosso país, em Portugal, o meu Partido, o nosso Partido, é o mais europeísta de todos os Partidos. Eu tenho muita honra em suceder a Mário Soares, a António Vitorino, a Maria de Lurdes Pintassilgo, agora como cabeça de lista do Partido Socialista nestas eleições europeias. E é por isso que peço aos Portugueses que votem. Que votem naturalmente nas listas portuguesas, que votem no meu Partido, no Partido Socialista, porque somos um Partido europeísta, porque somos um Partido de Esquerda. Estou aqui em Nanterre para falar com muitos Portugueses, e para lhes pedir, naturalmente aos jovens, mas a todos os Portugueses que estão por essa Europa fora, que votem nas eleições europeias.

 

Nesta Europa de desigualdades, um Francês pode ser Presidente de Câmara em Portugal e um Português não pode ser Maire, nem Maire-Adjoint em França. O que promete fazer para resolver estas diferenças?

Há caminho para fazer na participação cívica nos vários países europeus, mas há sobretudo esta vontade que temos – e também os Portugueses porque eu julgo que a Comunidade portuguesa em França é das que mais participa na vida cívica do país que os acolheu – esta vontade de participar e é por isso que é importante que as pessoas votem, que escolham votar nas listas francesas ou nas listas portuguesas, mas que votem claramente porque as eleições europeias vão marcar a diferença no nosso futuro. Há Partidos nacionalistas, Partidos de extrema-direita que querem fechar as fronteiras da Europa, que querem regressar aos nacionalismos e nós de facto não queremos esse caminho, nós queremos uma Europa livre, uma Europa de todos, uma Europa com liberdade de circulação, com liberdade de trabalho nos outros países, e queremos também uma Europa solidária. Não queremos uma Europa de cortes e de sansões. Sabe, os Candidatos da Direita ao Parlamento Europeu, em Portugal, apoiam um candidato à Comissão Europeia que pediu sansões contra Portugal na força máxima, quando nós estávamos a lutar contra essas sansões e nós temos de pedir aos Portugueses que penalizem esse comportamento e que escolham o Partido de Mário Soares, o Partido mais europeísta de Portugal, que é o Partido Socialista, mas, como lhe dizia, sobretudo que votem. Os jovens portugueses que estão aqui em França, que olhem para a situação do Brexit e vejam como os jovens britânicos que queriam permanecer na União Europeia, muitos não foram votar e acordaram no dia seguinte nesta situação desgraçada que ninguém sabe como vamos sair dela. Nós queremos que as pessoas votem contra esses nacionalismos, contra esses extremismos e pelos Partidos mais europeístas e eu acredito que o Partido Socialista é um desses Partidos.

 

Não respondeu à pergunta em relação ao bloqueio da França que impede, por exemplo, um Português de ser Maire ou Maire-Adjoint, sobretudo sabendo que já há milhares de luso-eleitos…

Sabe que temos uma boa relação entre os dois Governos, aumentar sempre os direitos cívicos, os direitos de cidadania, os direitos de participação de eleger e ser eleito, esse será sempre um passo no sentido correto de sermos mais Europa. O caminho faz-se caminhando. Não se consegue tudo no mesmo momento, mas como disse, e bem, há milhares de Portugueses que já são autarcas em França e esse é um ganho enorme. Quanto mais as pessoas participarem civicamente, quanto mais participarem politicamente, quanto mais elas votarem, mais podem exercer e reivindicar os seus direitos no futuro. E obviamente encontrarão do lado do Governo português quem procurará, junto do Governo francês, junto das Instituições europeias, a melhoria desses direitos cívicos. E naturalmente o meu compromisso enquanto Deputado do Parlamento Europeu é sempre de aprofundar o Projeto Europeu, aprofundar as condições de participação cívica ao nível da Europa. Nós queremos uma Europa aberta, uma Europa dos cidadãos e não uma Europa fechada.

 

Mas o direito de votar e ser eleito em França, data do Tratado de Maastricht, em 1992, e a primeira vez que votámos cá foi em 2001, já lá vai tanto tempo e só agora é que me diz que vai falar com o Governo francês?

Compreendo a sua questão, e obviamente é desejável, como já lhe referi, aumentar os direitos cívicos, os direitos políticos dos cidadãos europeus em qualquer país onde eles estejam, é positivo. Mas também é necessário aumentar a própria participação cívica e política, é preciso votar mais, participar mais. Como sabe, quanto mais Portugueses participarem, do ponto de vista autárquico, quanto mais Portugueses votarem, mais vai ser a sua capacidade de reivindicarem novos direitos. Claro que essa situação não está resolvida e não está resolvida há muitos anos, mas quanto mais nós conseguirmos que as pessoas façam ouvir a sua voz, tenho a certeza que mais conseguiremos resolver problemas concretos como o que referiu. Ele é importante certamente para os Portugueses. É preciso participar para que esses direitos possam ser exercidos, possam ser garantidos.

 

Quer que os Portugueses votem, mas aqueles que escolherem votar pelos candidatos portugueses, têm de votar presencialmente nos Consulados de Portugal. Vou dar-lhe apenas o exemplo de Nantes, a várias centenas de quilómetros de Paris, como quer convencer os Portugueses de Nantes a votar nestas eleições?

Temos sempre de procurar melhorar. Procurámos melhorar a rede de postos consulares ao longo deste mandato e certamente que não está tudo feito. Mas o exercício dos direitos cívicos é a melhor forma de nós também podermos reivindicar a melhoria da nossa vida em concreto. Sabe que no nosso país, ao longo destes últimos anos, conseguimos melhorar muito a vida dos Portugueses, criaram-se 350 mil empregos em Portugal nestes três anos, conseguimos tirar 180 mil pessoas da pobreza, e temos as contas públicas em ordem e queremos agora fazer ao nível europeu, aquilo que conseguimos fazer em Portugal e é essa mensagem de esperança no futuro da Europa, mas também do nosso país, que eu trago aos Portugueses. Claro que não está tudo resolvido do ponto de vista dos direitos das Comunidades que decidiram ou tiveram de decidir, face às suas condições de vida e da família, partir para outros países, mas nós queremos obviamente melhorar a vida de todos os Portugueses, e temos resultados concretos em Portugal que nos dão confiança para pedir às pessoas que nos deêm agora esse voto, para, na Europa, podermos melhorar a sua vida em cada país que os acolheu. Não está tudo resolvido, mas o nosso país está muito melhor do que estava há três anos, e nós queremos também que a Europa fique melhor, governando na Europa como governamos em Portugal, ao encontro das pessoas. Se assim fizermos, eu tenho a certeza que os populismos, que os protestos e os nacionalismos encontrarão menos expressão.

 

Desculpe insistir, mas abrir uma mesa de voto em Nantes é uma questão de vontade política. Era necessário ter tido a ideia e Portugal não teve essa ideia…

Não é uma questão de não ter ideias, há um conjunto de questões de segurança, logísticas para o exercício democrático do direito de voto, que têm de ser asseguradas. Como lhe disse, nós reforçámos a qualidade e a densidade de postos consulares ao longo deste mandato em vez de os encerrar. Não conseguimos resolver todos os Problemas, certamente que não. A democracia é um caminho de melhoria contínua da vida das pessoas. Eu percebo a sua pergunta concreta, de uma situação concreta que não está bem resolvida, tem de ser resolvida certamente no futuro, mas o que importa é que as pessoas vão verificando que a vida vai melhorando um pouco. Isso aconteceu no nosso país e é esta a proposta que nós temos para a Europa, para as eleições europeias e é isso que naturalmente me faz pedir aos Portugueses que nos deiam a sua confiança nas próximas eleições europeias.

 

Nantes era apenas um exemplo de entre as muitas cidades francesas, com muitos portugueses e longe dos postos consulares. Mas há algum português residente no estrangeiro, na sua lista?

Há colegas meus da lista que já estiveram a trabalhar em Bruxelas, como é o caso da Margarida Marques, mas repare, o nosso país tem Comunidades tão fortes e tão espalhadas pelo mundo, que não há Português nenhum que não tenha, na sua família próxima essa realidade de conviver com pessoas emigradas por razões de melhoria da vida das pessoas e das suas famílias. Eu próprio tenho familiares emigrados em França ou na Alemanha, para lhe dar apenas este exemplo. Nós convivemos com essa realidade diariamente porque são tantos e tantos Portugueses que estão espalhados pelo mundo ou pela Europa. Nós compreendemos bem, porque essa realidade nos é muito próxima, o quanto as pessoas lutaram para melhorar a sua vida procurando outros países, e quando sabemos que isso é uma escolha tão difícil porque as pessoas gostam do seu país, gostam da sua terra, queriam estar na sua terra, mas um determinado momento da sua vida levou-os a emigrar para outros países. Nós também estamos a trabalhar para melhorar a situação em Portugal para que mais Portugueses, se assim o entenderem, possam regressar, baixámos muito os impostos, por exemplo, para os Portugueses que entendam regressar a Portugal e fizemo-lo agora há pouco tempo porque o país tem hoje uma taxa de desemprego tão baixa, que já não a tinha há 17 anos atrás, nós precisamos de mais gente para trabalhar e com esta medida fiscal concreta do programa “Regressar” estamos a dar um sinal aos Portugueses que, se assim o entenderem, podem regressar ao seu país. Encontrando emprego, vão encontrar melhores condições fiscais. É por aí que nós queremos continuar, mas precisamos naturalmente de força das pessoas e no caso da democracia, essa força vem do voto do povo, que é o voto soberano, que nos dá forças para continuar essas políticas e essa melhoria da vida dos Portugueses. Nós conseguimos criar muito emprego em Portugal e reduzir a pobreza, mas temos muito trabalho para fazer em Portugal e agora também na Europa. É por isso que eu saí do Governo para encabeçar este projeto para as eleições europeias com muito orgulho e com muita honra.

 

Continuando a falar de Europa, o estatuto de “Residente não habitual” que Portugal negociou com a União Europeia é para continuar?

Nós temos mecanismos fiscais que permitem agora – e foram criados recentemente, no último Orçamento de Estado – um regresso a Portugal com condições fiscais mais favoráveis e que estão dirigidos em particular aos Portugueses que acabaram por partir, que tiveram residência em Portugal e que deixaram de a ter há ums anos atrás. Nós temos certamente a necessidade de ser cada vez mais Europa e de aproximar as condições de vida dos cidadãos em toda a Europa. As questões fiscais são importantes, certamente, mas as questões de emprego, de rendimento,… há muitas questões que diferenciam os países, não é certamente apenas a diferença do regime fiscal que faz as pessoas escolherem estar num país ou no outro. Por mim, as pessoas teriam liberdade de circulação e condições do ponto de vista de remuneração de direitos sociais, de direitos fiscais, o mais próximas possível a nível europeu.

 

Este estatuto permitiu que muitos Europeus, e nomeadamente Franceses, se tivessem instalado em Portugal…

Tem a ver, como eu lhe digo, com as condições de rendimento, com as condições sociais, com as condições fiscais, há um conjunto de fatores que levam a estas decisões, como no passado, com os regimes fiscais e económicos que existiam, também muitos Portugueses procuraram a França. O mais importante, como lhe digo, é que a Europa seja mais coesa, mais convergente, que haja menos diferenças entre os países. Nós podemos dizer, por exemplo, que em relação à criação do Euro, países como Portugal, mas também a França, foram prejudicados em termos relativos, em relação a outros países, como foi o caso da Alemanha que beneficiou mais com a criação do Euro. Nós temos é de aproximar as condições de desenvolvimento dos países, para que seja mais fácil a um Português permanecer em Portugal ou até regressar ao nosso país, se for o caso, e isso é de facto o grande objetivo da política que temos, e felizmente, criando tanto emprego como criámos em Portugal, acho que criámos boas condições para que isso aconteça no futuro.

 

Está preocupado com os movimentos nacionalistas que surgem em toda a Europa?

Acho que as pessoas que estão aqui em França até percebem melhor do que os Portugueses que estão em Portugal, porque em Portugal não temos essas Extremas-Direitas e esses Nacionalistas e eu acho que é assim porque nós conseguimos entregar bons resultados para a vida das pessoas. Aqui as pessoas percebem o que é ter a Extrema-Direita quase que a pedir para fechar as fronteiras outra vez, para fechar a Europa. E isso é perigoso para o Projeto Europeu e é perigoso para os Portugueses que estando aqui, ou no Reino Unido ou no Luxemburgo, querem circular livremente, querem trabalhar livremente no espaço europeu. Por isso é que eu acho que os Partidos mais europeístas e em particular os que têm valores de solidariedade e de Esquerda, como o Partido Socialista, devem ser mais apoiados nestas eleições europeias, para contrariar esses nacionalismos e essa Extrema-Direita.

 

 

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