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Mais de 200 pessoas assistiram na quinta-feira da semana passada, no Musée d’Aquitaine, em Bordeaux, à inauguração da exposição « O Candelabro – Aristides de Sousa Mendes, un Consul en résistance », promovida pelo Comité Aristides de Sousa Mendes, no quadro da Temporada França-Portugal 2022.

Manuel Dias, do Comité Sousa Mendes convidou a filha de Aristides de Sousa Mendes, Marie-Rose Faure, que mora em Pau e que se deslocou a Bordeaux com o marido, mas também Gérald Mendes, neto do antigo Cônsul de Portugal em Bordeaux, a residir na região parisiense. Deslocou-se especialmente para este evento, uma delegação dos Estados Unidos, da Sousa Mendes Foundation, essencialmente constituída por descendentes de pessoas salvas com vistos de Aristides de Sousa Mendes, durante a perseguição nazi da II Guerra mundial.

Mas na inauguração esteve também o Maire de Bordeaux, Pierre Hurmic, e dois dos seus Adjuntos, com o pelouro da cultura e da memória, assim como o atual Cônsul Geral de Portugal em Bordeaux, Mário Gomes.

A peça principal da exposição é um Candelabro que dá nome à mostra. É uma imponente obra de arte, instalada logo no hall de entrada do museu, dos artistas americanos Werner Klotz e Almut Kühne, apresentada pela primeira vez em França.

A peça do escultor Werner Klotz é composta por ecrãs onde são mostrados vídeos e sons preparados por Almut Kühne, evocando o antigo Cônsul de Portugal em Bordeaux durante a II Guerra mundial.

O Musée d’Aquitaine apresentou em 2020 a exposição do Comité Aristides de Sousa Mendes “L’Exil 1940” cuja programação foi fortemente perturbada pelo confinamento. Desta vez o Comité expõe uma versão reduzida dessa mesma exposição e, para além deste Candelabro, expõe também duas obras do artista português radicado em Sarlat Fernando Costa e uma obra de arte contendo uma superposição das cerca de 30.000 assinaturas de Aristides de Sousa Mendes, realizado por um dos netos do diplomata, Sébastien Mendes. Aliás, o Comité Sousa Mendes comprou essa obra, que vai ficar em Bordeaux depois desta exposição.

De realçar que Sébastien Mendes era filho de Sebastião Mendes, um dos filhos de Aristides de Sousa Mendes, que, com Carlos, nasceu nos Estados Unidos quando diplomata aí esteve em posto, e, ainda durante a II Guerra mundial foi um dos soldados americanos (porque tinha a nacionalidade americana) que desembarcou na Normandie.

Na exposição são apresentados documentos inéditos em França – cartazes, jornais, fotografias, documentos oficiais – cedidos pela Sousa Mendes Foundation, dos Estados Unidos, mas também documentação dos arquivos da coleção do Centre National Jean Moulin e dos Archives Départementales de la Gironde.

Aristides de Sousa Mendes foi Cônsul de Portugal em Bordeaux durante a II Guerra mundial, quando mais de um milhão de refugiados chegaram à cidade, persseguidos pelas tropas alemãs do III Reich. Contrariando as diretivas de Salazar, Aristides de Sousa Mendes desobedeceu e salvou mais de 30.000 pessoas, atribuindo-lhes vistos para viajarem para Portugal e, de Lisboa, seguirem para países onde estivessem em segurança.

Sousa Mendes pagou cara a desobediência e morreu praticamente na miséria em Lisboa em 1954. Em 1966 foi declarado “Justo” pelo Mémorial de Yad Vashem em Israel e no ano passado entrou para o Panteão português.

Todas as quartas-feiras de junho e na primeira quarta-feira de julho, às 14h30, estão previstas visitas comentadas da exposição e no dia 24 de maio, às 18h00, o historiador da Universidade de Pau, Victor Pereira, vai proferir uma conferência intitulada “Aristides de Sousa Mendes : de l’oubli à la reconnaissance”.

Uma parte desta exposição que está patente ao público no Musée d’Aquitaine até 2 de outubro, vai depois seguir para Pau, Hendaye, Gueret e Bayonne.

 

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