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O Centre National Jean Moulin e o Musée d’Aquitaine inauguram esta tarde a exposição « O Candelabro – Aristides de Sousa Mendes, un Consul en résistance », promovida pelo Comité Aristides de Sousa Mendes, no quadro da Temporada França-Portugal 2022. A exposição está patente ao público no Musée d’Aquitaine, entre os dias 13 de maio e 2 de outubro.

A peça principal da exposição é um Candelabro que dá nome à mostra. É uma imponente obra de arte, instalada logo no hall de entrada do museu, dos artistas americanos Werner Klotz e Almut Kühne, apresentada pela primeira vez em França.

A peça do escultor Werner Klotz é composta por ecrãs onde são mostrados vídeos e sons preparados por Almut Kühne, evocando o antigo Cônsul de Portugal em Bordeaux durante a II Guerra mundial.

O Musée d’Aquitaine apresentou em 2020 a exposição do Comité Aristides de Sousa Mendes “L’Exil 1940” cuja programação foi fortemente perturbada pelo confinamento. Desta vez o Comité expõe uma versão reduzida dessa mesma exposição e, para além deste Candelabro, expõe também obras do artista português radicado em Sarlat Fernando Costa e uma obra de arte contendo uma superposição das cerca de 30.000 assinaturas de Aristides de Sousa Mendes, realizado por um dos netos do diplomata. Aliás, o Comité Sousa Mendes comprou essa obra, que vai ficar em Bordeaux depois desta exposição.

Manuel Dias, o “motor” do Comité Sousa Mendes, disse ao LusoJornal que a exposição mostra também documentos inéditos em França – cartazes, jornais, fotografias, documentos oficiais – cedidos pela Sousa Mendes Foundation, dos Estados Unidos, mas também documentação dos arquivos da coleção do Centre National Jean Moulin e dos Archives Départementales de la Gironde.

Aristides de Sousa Mendes foi Cônsul de Portugal em Bordeaux durante a II Guerra mundial, quando mais de um milhão de refugiados chegaram à cidade, persseguidos pelas tropas alemãs do III Reich. Contrariando as diretivas de Salazar, Aristides de Sousa Mendes desobedeceu e salvou mais de 30.000 pessoas, atribuindo-lhes vistos para viajarem para Portugal e, de Lisboa, seguirem para países onde estivessem em segurança.

Sousa Mendes pagou cara a desobediência e morreu praticamente na miséria em Lisboa em 1954. Em 1966 foi declarado “Justo” pelo Mémorial de Yad Vashem em Israel e no ano passado entrou para o Panteão português.

Todas as quartas-feiras de junho e na primeira quarta-feira de julho, às 14h30, estão previstas visitas comentadas da exposição e no dia 24 de maio, às 18h00, o historiador da Universidade de Pau, Victor Pereira, vai proferir uma conferência intitulada “Aristides de Sousa Mendes : de l’oubli à la reconnaissance”.

 

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