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Exposição sobre Talismãs na Gulbenkian de Paris

LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira

«Talismans. Le désert entre nous n’est que du sable» é o nome da exposição patente ao público desde a semana passada na Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação de Paris.

O projeto foi proposto pela comissária Sarina Basta, uma curadora franco-americana. «Ela foi a vencedora do prémio Gulbenkian Curator na Escola de Belas Artes em 2015, no quadro dos cinquenta anos da delegação de Paris» explica ao LusoJornal o Diretor da Delegação de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, Miguel Magalhães.

Este projeto foi proposto pela Comissária e estrutura-se em torno de três dimenssões: a incomensabilidade do tempo após uma tragégia, a reparação e o talismã.

«Este é um projeto ambicioso para o qual foram convidados vários artistas para refletir sobre esta questão. A questão da reparação é uma questão muito atual, sobre a qual vários artistas estão a trabalhar, penso por exemplo na Bienal de Coimbra em 2017 que refletiu exatamente sobre a mesma questão e são questões que vem ao encontro da missão da Gulbenkian» explica Miguel Magalhães.

Dos 17 artistas que participam na exposição – mas há mais do que 17 peças – temos Isabelle Ferreira, uma artista portuguesa que reside em Paris, Pedro Barateiro, Leonor Antunes, que esteve recentemente presente na Bienal de Veneza, e temos também artistas consagradas como Laddie John Dill ou Cildo Meireles.

«O deserto entre nós é apenas areia» é uma frase que Sarina Basta recuperou de uma realizadora de documentários de origem vietnamita, Trinh Minh Ha, e que passou pela Fundação em 2017, numa parceria com a Maison des Sciences de l’Homme. «Ela esteve de visita a Paris e o trabalho dela é importante para a nossa Comissária que recuperou esta afirmação, que entende ser poética e que enquadra esta exposição de certa maneira».

Pedro Barateiro é um dos artistas que participam na exposição, apresenta três obras recentes, «que fazem parte de um conjunto de outras esculturas que eu tenho vindo a fazer, normalmente de pequeno formato, embora eu tenha também feito exposições de maior formato, mas estas são esculturas que vou desenvolvendo no estúdio, que vão sendo construidas e compostas com peças que vou trazendo para o estúdio, objetos, outras peças que faço de propósito para elas e demoram algum tempo até surgirem. Têm uma escala bastante pequena para haver uma proximidade grande com as mãos e haver quase uma vontade de elas serem tocadas» explicou ao LusoJornal.

«The Universe in a Cup» (2017) é uma das três esculturas de Pedro Barateiro utilizada para divulgar a exposição. «É o universo numa caneca, que junta uma caneca – um objeto que nós usamos quase todos os dias -, com mais um conjunto de outros elementos, uma cesta e uns elementos feitos em gesso e, que tentam mimetisar uma espécie de universo dentro de uma caneca, como se, de repente, olhássemos para a nossa caneca do café e ela quase que ampliasse à escala do universo, como se nos conseguissemos ver muito pequeninos dentro de um espaço» explica Pedro Barateiro ao LusoJornal.

«Essa relação de escala também me interessa porque tenho feito algumas peças muito maiores, mas estas peças pequenas também me interessam como uma necessidade de manter uma relação quase próxima com os objetos e hoje em dia é quase uma necessidade até porque vivemos num mundo bastante produzido, há uma espécie de objetos que entram nas nossas vidas a toda a hora, a todo o instante e achamos que tem de haver uma responsabilidade maior na maneira como lidamos com eles».

Segundo Miguel Magalhães, «o Talismã aqui não pode ser entendido como objeto com carga mistica, mas é um objeto que carrega a memória coletiva, a memória dos grupos e funciona aqui como um objeto poético, figurado, para pensar na questão da reparação, da cura, encontrar formas de curar feridas coletivas».

«O Talismã é uma espécie de objeto que nós guardamos, que tem uma carga emocional, uma carga simbólica, que pode ser um fio, uma peça, uma carta,…» explica por sua vez Pedro Barateiro. «Um talismã, na verdade pode ser qualquer objeto com a qual tenhamos uma relação bastante próxima. O talismã é uma espécie de objeto que traz consigo um simbolismo bastante forte. Pode ser uma moeda, uma nota. Por vezes vamos a uma viagem, eu por exemplo guardo sempre uma nota do sitio onde vamos, se for aos Estados Unidos guardo um dólar, ou então qualquer coisa que nós recolhemos de uma viagem, de uma visita, é uma maneira de nos ligarmos com a nossa memória através dos objetos, que não seja apenas através da fotografia que é, hoje em dia, a forma mais óbvia de registar uma experiência, qualquer que ela seja».

Pedro Barateiro vai ao ponto de dizer que «as minhas obras são os meus talismãs, claro, fazem parte da minha construção enquanto pessoa, enquanto artista, e eu acho que todas as pessoas o fazem».

E o artista português diz que o próprio Calouste Gulbenkian era um colecionar. «Era uma pessoa que dava um apreço especial aos objetos – também podia comprá-los, não é? – mas não é apenas por eles serem objetos, porque isso é só uma relação de interface com o mundo, como temos com as pessoas, mas sim por aquilo que eles simbolizam». E explica que «os objetos nunca são só os objetos, são qualquer coisa mais, são qualquer coisa para além, que os faz entrar no universo».

Esta exposição é realizada com dois parceiros importantes para a Fundação Calouste Gulbenkian: com o Jeu de Paumes, em Paris, onde foi organizada uma mesa redonda, na semana passada, com a Comissária Sarina Basta e com a participação do artista português Pedro Neves Marques e de Ana Vaz, uma artista brasileira que reside em Lisboa. No mês de junho, a Fundação vai ser parceira do Festival Move, que é um festival dedicado à dança, ao movimento e à performance e no qual participarão Pedro Barateiro e Francisco Tropa.

 

 

 

 

 

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