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O pianista, maestro e compositor português Francisco de Lacerda, radicado durante muitos anos em Paris, tem agora museu na Calheta, em São Jorge, nos Açores.

As novas instalações do Museu Francisco de Lacerda foram inauguradas na passada terça-feira, 10 de novembro, mas ainda sem as valências das exposições permanentes, do centro de documentação e biblioteca e de serviço educativo. O concurso público publicado em Diário da República “inclui a produção, fornecimento e instalação de suportes expositivos, artes gráficas, equipamento especializado e equipamento diverso”. Com um valor base de 170.950 euros, este procedimento deve estar concluído em “finais de fevereiro” e o espaço de exposições deve estar plenamente funcional “no início do Verão”, adiantou a diretora regional da Cultura, Susana Goulart Costa, à Lusa.

As novas instalações deste museu de São Jorge, que homenageia o musicólogo, compositor e maestro jorgense Francisco de Lacerda, ficam nos terrenos e edifício industrial da antiga fábrica de conservas Marie D’Anjou, em frente ao porto da Calheta, e incluem um núcleo dedicado à música, outro à ilha de São Jorge, e um terceiro dedicado à indústria conserveira.

Francisco de Lacerda (1869-1934) foi um pianista, maestro e compositor português, natural da Ilha de S. Jorge, que se fixou em Paris, no final do século XIX, onde estudou com Charles Widor e Vincent d’Indy – a quem sucedeu na classe de Orquestra do Conservatório de Paris, por indicação do mestre -, entre outros protagonistas da modernidade da época.

Nome da chamada escola francesa, a par de Gabriel Fauré, Francis Poulenc, Paul Dukas, Claude Debussy, com quem privou, Francisco de Lacerda adquiriu notoriedade internacional sobretudo como maestro da Schola Cantorum, na viragem para o século XX, tendo trabalhado também com os regentes alemães Arthur Nikisch e Hans Richter.

Em vésperas da Grande Guerra de 1914-1918, regressou aos Açores, onde se dedicou à investigação da música tradicional, de que viria a resultar um primeiro Cancioneiro Musical Português, com melodias harmonizadas para canto e piano.

Na década de 1920, de novo em Paris, retomou a regência dos “Grands Concerts Classiques”. Em 1928, porém, a carreira internacional como maestro, cada vez mais reconhecida, cedeu à tuberculose.

De regresso a Portugal, retomou a investigação da música de origem popular, que manteve até à morte, em 1934.

Poemas sinfónicos, música para bailado, peças para órgão, piano, trios e quartetos de cordas, estão entre as suas principais obras, incluindo as miniaturas “Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste”.

 

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