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Cultura

 

 

A Oxalá, editora luso-alemã que promove a literatura que nasce da diáspora portuguesa, acaba de lançar a “IV Antologia de Poetas Lusófonos da Diáspora”. São quase 30 autores, entre os quais se encontram António Topa e Dominique Stoenesco, poetas reconhecidos da literatura lusófona em França, e dezenas de poemas que, embora atravessem diferentes geografias, se encontram em português.

Mário Santos, editor na Oxalá Editora – que já sublinhou que os volumes das antologia entretanto publicados garantiram a publicação a muitos amantes da poesia que até então se confrontavam com dificuldades em divulgar os seus trabalhos -, escolheu São Gonçalves para coordenadora desta quarta antologia. Ela própria poeta, São Gonçalves é uma das principais divulgadoras da literatura portuguesa no Luxemburgo.

“Este meu primeiro trabalho de coordenação foi um grande desafio”, confessa São Gonçalves, “mas acabou por ser muito compensador e importante”.

Este projeto começou por um apelo, nas redes sociais e nos jornais da Diáspora, aos poetas lusófonos a viverem em países onde não se fala português. “Cada autor escolhido, alguns deles nunca publicados, enviou oito poemas e, então, eu procedi à seleção de cinco de cada um”, explica São Gonçalves.

Poetas oriundos de França, Luxemburgo, Bélgica, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, entre outros, que a Oxalá e a São Gonçalves divulgam. “Tudo se enquadra nesta minha motivação e vontade de divulgar a língua portuguesa, as suas literaturas e os seus escritores”, diz a coordenadora.

De facto, esta vontade de São Gonçalves materializa-se na organização de eventos literários, muitas vezes em colaboração com a Livraria Pessoa, no Luxemburgo, e na publicação de resenhas das suas numerosas leituras, nomeadamente no Bom Dia, site de notícias.

“Este é um propósito que eu encontrei, o de divulgar as nossas raízes, a nossa cultura, aqui no Luxemburgo”. E este propósito serviu de critério de seleção para as dezenas de poemas publicados nesta “IV Antologia de Poetas Lusófonos da Diáspora” há poucas semanas. “A minha vontade de dar voz àqueles que vivem fora de Portugal, de exprimirem esse sentimento, levou-me a criar, como critério, uma linha condutora que fosse nesse sentido, não o da mera saudade, mas, sim, uma ideia de portugalidade, e essa ideia vive nos poemas que foram selecionados”, explica São Gonçalves. “Há poemas que falam da memória, outros do sol, do clima, do mar, da saudade, também, do amor, mas sempre numa análise semântica que tenha que ver com o facto de se estar fora do país e de se pertencer a essa portugalidade”.

Uma trintena de autores – Nancy Vieira Couto, Paula de Lemos, António Topa, Roseangelina Baptista, Sónia Micaelo, Rafael Martins, Sofia Laureano, Dominique Stoenesco, Sarah Virgi, Vânia Perciani, Ana Luísa, Bernardo P. Trigo, Naria Radatos, José Luís Correia, Maria do Rosário Loures, Carla Magalhães, Ana Casanova, Paula Sá Carvalho, Fernando de Matos, Dévora Cortinhal, Marilia Andreä, Bia Vasconcelos, António Justo, Daniela D’Ávila, Edney Pereira Melo, António Magalhães, Daniela Cruz, Vera Cidade, Isaac Nin – que revelam, através da poesia, o que sente um falante de português que se encontra mergulhado diariamente noutras línguas e culturas.

 

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