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João dos Santos Silva, Colete Amarelo em Langon (33), a 50 km de Bordeaux, ouviu as declarações do Presidente Emmanuel Macron, mas decidiu continuar a bloquear uma rotunda de acesso à autoestrada entre Bordeaux e Toulouse. “O que o Presidente Macron decidiu ontem é continuar na mesma posição que tinha desde há um mês. As medidas que ele tomou são insuficientes, é quase uma agressão para aqueles que continuam a ocupar as rotundas” disse ao LusoJornal.

Na rotunda de Langon já se votou pela continuação do movimento. “Não somos surdos, claro que o apelo ao diálogo e ao debate foi importante, mas desconfiamos muito. Foi necessário esperar um mês, quatro mortos, dezenas de feridos, violência…” diz João dos Santos Silva. “Os Maires foram convidados para o diálogo… Parece-me que Paris está a perceber que não pode decidir de tudo”.

Mas, por enquanto ainda é pouco. Antes mesmo das declarações do Presidente da República, João dos Santos Silva, natural de Baixa da Banheira, já tinha respondido ao apelo do Maire da aldeia de 350 habitantes onde reside para deixar um pedido: um aumento de 300 euros no salário. “Na minha opinião, era um aumento sensível e imediato para aqueles que hoje têm o frigorífico vazio”.

Por isso contesta os 100 euros que Emmanuel Macron prometeu. “Na prática não há um aumento do SMIC, poderá representar uns 30 euros” lamenta. Depois acrescenta que “ele nem falou nos deficientes, nem nas viúvas, nem nos desempregados… só falou naqueles que trabalham e mesmo assim, deixou o bónus de fim do ano ao critério das empresas, dos patrões. Não é obrigatório”.

João dos Santos Silva queria uma medida forte. “Quem tem fome hoje, não pode esperar dois meses de diálogo” e lembrou as “respostas imediatas” que foram dadas por De Gaulle, Mitterrand e Chirac, em situações idênticas. “Agora não há nada”.

João dos Santos Silva concorda com o apelo ao diálogo. “Há coisas que é necessário tempo, as palavras vão no bom sentido, mas a urgência tem de ter respostas rápidas.

João dos Santos Silva também sabe que Emmanuel Macron não é o único responsável pela situação atual do país. “Macron agravou a situação, juntou outras medidas que vieram aumentar a degradação social”.

Quanto à eventual recuperação por parte do Rassemblement National, “isso não é a discussão dos Coletes Amarelos, há uma diversidade enorme no nosso movimento e não passa, não tem nenhuma influência. Os Coletes Amarelos são o povo. Muitos já não votavam, e a maior parte é a primeira vez que está a manifestar”.

Agora aposentado, João dos Santos Silva foi dirigente sindical e agora, com um Colete Amarelo continua a bater-se por “mais justiça social”. Por isso, considera que “a luta deve continuar. Já votámos. Volta a haver concentração no próximo sábado”.

João dos Santos Silva diz-se preparado para o “Ato 5” e nas páginas sociais publicou a fotografia de uma… guilhotina!

 

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