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José Luís Carneiro visitou exposição sobre I Guerra com alunos de Saint Germain-en-Laye

LusoJornal / Carlos Pereira LusoJornal / Carlos Pereira

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas visitou no domingo de manhã uma exposição sobre a I Guerra Mundial no Consulado Geral de Portugal em Paris, na companhia de alunos da Secção portuguesa do Liceu Internacional de Saint Germain-en-Laye.

José Luís Carneiro aproveitou ter vindo a Paris para o Jantar Solidário da Santa Casa da Misericórdia e quis visitar a exposição que foi inaugurada no mês passado pelo Presidente da Assembleia da República.

Quando de manhã, os alunos chegaram ao Consulado Geral de Portugal, não sabiam ainda que iam encontrar o governante português. “Foi uma surpresa para todos. Eu próprio só fiquei a saber há apenas 48 horas. Aos alunos não dissemos nada. Foi a surpresa absoluta” explicou ao LusoJornal José Carlos Janela, Diretor da Secção Portuguesa do Liceu Internacional de Saint Germain-en-Laye.

Quando o Secretário de Estado chegou, os professores foram anunciando a surpresa aos alunos. José Luís Carneiro cumprimentou, um a um, todos os alunos e dirigiu-lhes palavras de encorajamento. “É muito importante para os alunos, estarem assim a conversar com um membro do Governo” referiu José Carlos Janela.

Este momento de partilha teve lugar na sala de espera do rés-do-chão do posto consular e José Luís Carneiro incentivou os mais jovens a participarem ativamente na vida política e associativa, dando a I Guerra Mundial como exemplo de como “os egoísmos e o protecionismo” conduziram a um conflito de escala mundial.

“É muito importante que os mais jovens conheçam a história do seu país de origem, do seu país de acolhimento, mas também a história da Europa e consigam perceber que há valores comuns que estiveram na origem, quer do Estado português, quer do Estado francês” disse José Luís Carneiro ao LusoJornal. “Aliás, muitos dos nossos valores constitucionais são o resultado de muitas das conquistas que previamente se alcançaram em França. E a I Guerra mundial é bem a demonstração de como os egoísmos e os protecionismos conduzem aos conflitos internacionais”.

Antes mesmo de visitarem a exposição, o membro do Governo disse que “este conflito foi terrível para as sociedades europeias, mas também para as sociedades que deram os seus filhos, provenientes de todo o mundo, da África, da América, da Ásia,… Ainda há pouco tempo estive na Austrália num museu que se dedica à história do contributo quer de Australianos, quer de Neozelandeses na I Guerra mundial”. José Luís Carneiro confessou depositar “as maiores esperanças em relação ao nosso futuro” nesta geração.

O Diretor da Secção portuguesa, também historiador, concordou. “É muito importante que os cidadãos conheçam a história porque como dizia Churchill, quem não conhece o passado, arrisca-se a revivê-lo. Parece-me muito importante que os alunos conheçam aquilo que foi a I Guerra mundial, que representou também para Portugal um esforço muito grande, com a participação em África e em França, que é praticamente desconhecida. É pena que em França a história de Portugal não seja muito conhecida”.

Hugo Oliveira, um dos alunos, concordou: “apesar de tudo, a imagem que em geral temos da participação de Portugal na I Guerra Mundial é uma imagem um bocado negativa e superficial. E esta exposição veio mostrar que afinal não foi só isso, foi muito mais do que isso, e Portugal teve um papel na I Guerra mundial. Apesar de muitos pensarem que não foi grande coisa, esta exposição mostra que a nossa participação foi importante”.

Também Joana Gomes Ferreira concorda que “não se conhece bem a participação de Portugal na Guerra, porque não se fala muito. Acho que é importante nós sabermos e termos mais conhecimento”.

Os estudantes visitaram a exposição respondendo a uma série de perguntas que lhes foi dada pelo professor de História e o Cônsul Geral de Portugal, também presente com as demais chefias do posto, distribuiu uma brochura da exposição.

José Luís Carneiro fez a ligação com a construção da União europeia. “Foi por força dos valores comuns relativos ao humanismo, que se construiu a Europa e ao mesmo tempo foi ao encontro de uma solução de regulação e de usofruto de interesses comuns que se construiu este projeto de paz, de desenvolvimento e de bem estar que é o projeto europeu”. O Secretário de Estado lembrou aliás aos alunos que este é o maior período de paz que a Europa conheceu.

“A memória é importante, mas a mensagem histórica é ainda mais importante, porque é a historia que nos permite conhecer, compreender o mundo em que vivemos e traçar as linhas do futuro” rematou José Carlos Janela em declarações ao LusoJornal.

“Não deixem que sejam os outros a fazer o mundo que vocês querem construir e com isso estão a homenagear aqueles que deram a sua vida na Europa para que possamos estar aqui em paz”, disse o Secretário de Estado aos cerca de cinquenta alunos portugueses, lusodescendentes, mas também brasileiros e de outras nacionalidades que aprendem português, todos do 9º ao 12º anos, não apenas no pólo de Saint Germain-en-Laye, mas também do “anexo” da Secção Portuguesa em Le Pecq.

“Muito em breve vamos ter eleições para o Parlamento europeu e é muito importante que estas gerações mais jovens se envolvam na vida cívica, na vida política, procurando compreender a origem, a natureza das coisas, o seu destino, porque com isso estão também a construir uma cidadania mais sólida e mais comprometida com estes valores que são os valores da paz e pelos quais a humanidade tem derramado muito sangue” disse José Luís Carneiro.

Os alunos aplaudiram. “É verdade que toda a gente fala mal das instituições, dos agentes políticos, não há que falar mal, há que integrar as instituições, integrar-se na vida da Polis ou da Res Publica e melhorar as coisas por dentro” disse entusiasmado José Carlos Janela. “Parece-me muito importante e fico muito feliz que o senhor Secretário de Estado tenha precisamente feito esse apelo aos jovens porque no futuro estes jovens podem ser políticos, podem ser médicos, podem ser jornalistas, professores universitários, investigadores,… o importante é que toda a gente se envolva na vida e que, cada um no seu lugar, esteja ao serviço do interesse da Res Publica”.

Hugo Oliveira gostou do que ouviu. “Eu interesso-me pela política e por esses assuntos e foi interessante” disse ao LusoJornal. “Ouvir o senhor Secretário de Estado apelar para uma maior participação cívica… ouvir isso da boca de uma pessoa que realmente tem autoridade, que está no poder, e tem alguma influência, ainda nos toca mais. Temos de ouvir e pensar nisso duas vezes”.

A Secção portuguesa do Liceu Internacional de Saint Germain-en-Laye tem cerca de 400 alunos que falam português num universo de 3.000 alunos provenientes de 54 países e está também a assinalar o ano do Armistício de forma especial na sua escola. “Os alunos fizeram uma exposição em português sobre a Batalha de La Lys, tivemos uma exposição bilingue e agora vimos aqui visitar esta exposição ao Consulado”, afirmou Luís Filipe Pedrosa, professor de História, que acompanhou os alunos nesta visita.

No final da visita, José Luís Carneiro disse a José Carlos Janela estar disponível para visitar a Secção Portuguesa do Liceu Internacional e ter um encontro “descontraído” com os alunos, “respondendo às perguntas, falando com eles”. O Diretor da Secção agradeceu, contente com a proposta que espera venha a ser concretizada.

 

 

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