Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Donativos LusoJornal

 

Esta tarde, o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, vai visitar o Château du Pont Saint Martin, em Léognan, perto de Bordeaux, uma das quatro quintas do português José Rodrigues.

Logo à entrada está hasteada a bandeira portuguesa. Está lá todo o ano, porque José Rodrigues gosta que se saiba que é Português.

Este é o quarto “Château” de José Rodrigues. Primeiro comprou o Château de Castres e antes de comprar o Château du Pont Saint Martin, já tinha comprado também o Château de Beau-Site e o Château Roche-Lalande. Hoje, com cerca de 70 hectares de vinhas, é um dos maiores produtores de Bordeaux.

José de Matos Rodrigues nasceu na freguesia de Vinhós, no conselho de Fafe, mas veio para França com apenas 6 meses. “Os meus pais já estavam cá em França porque o meu avô chegou cá em 1929. Veio para Cap Ferret”. E acrescenta: “eu nunca vivi em Portugal”.

Mesmo assim, José Rodrigues nunca cortou as relações com o país onde nasceu, nem com a família que mora no Brasil. “Estamos muito perto da nossa família portuguesa e todos os anos vamos uma, duas ou três vezes a Portugal”.

 

De engenheiro químico a enólogo

José Rodrigues licenciou-se em engenharia química e chegou a trabalhar 8 anos na indústria.

Até aos 20 anos nunca tinha fumado – até porque era jogador de futebol – e não bebia álcool. Começou a provar vinho mais tarde, quando começou a namorar com a filha de um produtor de Bordeaux, com quem entretanto casou. “Quando eu era pequeno, ia sempre às vindimas do meu avô e isso ficou-me na memória… as uvas, o cheiro da adega…”

Decidiu então integrar a Faculdade de enologia de Bordeaux e licenciou-se em enologia. Ainda trabalhou 3 anos para uma empresa portuguesa de Espinho que comercializava rolhas de cortiça em França.

A mulher é doutorada em contabilidade, especializada em propriedades vitícolas e tem um grande escritório de contabilidade em Bordeaux. “Tem mais de 1.000 quintas de vinhos da região na lista de clientes” diz José Rodrigues ao LusoJornal. “A família da minha esposa é produtora de vinhos, mas eu nunca quis trabalhar com eles. Gostei sempre de ser livre e não ter que obedecer a ninguém” diz o produtor de vinhos. “Então decidi desenvolver os meus próprios negócios, à velocidade que eu quero, porque nós desenvolvemos muito rapidamente”.

 

A próxima quinta será no Douro

Nos 70 hectares que cultiva, José Rodrigues produz meio milhão de garrafas de vinho por ano e exporta cerca de 70% da produção para o mundo inteiro, da América do norte ao Brasil, da África ao Japão e à China. “Para Portugal vendo muito pouco e vendo diretamente para particulares porque atualmente não tenho importador em Portugal”.

Para José Rodrigues, o dia começa às 6h00 da manhã com uma volta pelas propriedades e acaba já tarde. “Gosto de controlar tudo, ver se está a ser feito como eu quero” explica ao LusoJornal. “O mais importante é que eu sou enólogo e sou eu que decido exatamente a qualidade e a orientação dos vinhos que eu quero, passa tudo por mim e só por mim”.

Mas para além de se ocupar das propriedades e dos vinhos, também viaja muito para fazer a promoção. Ainda recentemente esteve em Macau a promover os seus vinhos na Academia Militar.

Em cada propriedade que compra, José Rodrigues reestrutura equipas, modos de produção e de distribuição. Depois desenvolve e programa o retorno sobre investimento.

Agora já está no momento de comprar outra propriedade, mas desta vez tem os olhos voltados para o Douro. “Estamos à procura de uma propriedade no Douro, porque é uma região com grande qualidade de vinhos e porque o Rio Douro é maravilhoso” diz José Rodrigues.

 

Enoturismo funciona muito bem

Tanto no Château de Castres, do século XVIII, como no Château du Pont Saint Martin, José Rodrigues propõe também alojamento, espaços para seminários e reuniões, assim como provas de vinhos. “Os nossos quartos estão cheios todo ano. O enoturismo funciona muito bem e nós precisamos dessa área, não apenas por ser um complemento financeiro importante, mas também por ser uma oportunidade de comunicar, porque os nossos quartos são de alta gama e nós recebemos aqui clientes do mundo inteiro, clientes que têm muito poder de compra. Isso ajuda-nos muito para a publicidade e para o desenvolvimento dos nossos vinhos”.

A região vinícola de Bordeaux é das mais conhecidas do mundo e integra a rede mundial das capitais mundiais do vinho, onde estão também Porto, Adelaide e São Francisco. Há dois anos, o Château du Pont Saint Martin venceu o Best-of de Ouro desta rede. “É muito importante porque foram feitos filmes sobre a nossa propriedade e isso traz-nos muitos clientes”.

José Rodrigues tem 60 anos, mas continua com dinamismo, mesmo se garante que “tenho de começar a parar um pouco”. Os filhos seguem-se na gestão das empresas. “A minha filha já trabalha connosco na área do marketing a nível mundial. Já é bastante competente nesse domínio. O meu filho também vai chegar”.

Durante muitos anos José Rodrigues esteve desligado da Comunidade portuguesa de França. Mas pouco a pouco, sentiu necessidade de integrar esta “rede” e de dar a conhecer os vinhos que produz.

 

Empresas

 

X