Carina Branco

Lesados do BES vão manifestar junto ao Consulado de Paris em dia de eleições

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Os Emigrantes Lesados Unidos (ELU) – um grupo de lesados do BES – anunciou esta manhã que vai manifestar este sábado, dia 23 de janeiro, junto ao Consulado Geral de Portugal em Paris, no primeiro dia das eleições para o Presidente da República.

Em Portugal a eleição tem lugar no domingo, dia 24 de janeiro, mas nas Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, vota-se em dois dias, no sábado e no domingo. Os Emigrantes lesados dizem que vão votar no sábado e aproveitam para manifestar às 10h30 em frente do Consulado português em Paris.

Numa nota enviada esta manhã às redações, os membros do ELU garantem que a Préfecture de Police de Paris “autorizou oficialmente esta manifestação”.

“Ao contrário do que foi dito pela comunicação social, ainda há produtos supostos de poupança – tais como o Euro Aforro 10 – que ficaram fora de qualquer acordo” diz a nota que informa da manifestação. “Por exemplo, de 100 euros depositados nestes produtos, os emigrantes lesados recuperaram 11 euros, quer uma perda quase total, e não 50% nem 75%!”.

“Tal como em todas as manifestações prévias que organizámos em Paris, independentemente de quaisquer associações em que os emigrantes lesados não confiam mais desde o verão 2017, reclamamos que sejam devolvidos todas as poupanças conseguidas depois de uma vida de sacrifícios fora de Portugal” dizem os manifestantes.

Na nota enviada à Comunicação social, os Emigrantes lesados lembram que no dia 11 de junho 2016, o Primeiro Ministro António Costa disse, na presença do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que os emigrantes foram enganados pelo BES. “Essas declarações tiveram ainda mais peso porque decorreram em Champigny, perto de Paris e lugar simbólico, onde os nossos pais chegaram para viver na miséria dos bairros de lata”.

“A 31 de maio de 2019, a Comissão Liquidatária do Banco Espírito Santo não reconheceu os emigrantes lesados como credores do BES enquanto reconheceu, segundo a imprensa, Ricardo Salgado (ex-dirigente do BES) como credor comum. Uma situação incrível!” lê-se no comunicado assinado por Carlos Costa dos Santos. “O BES não era só intermediário, mas deu também a sua garantia segundo a qual reembolsava os emigrantes lesados. Mais de que uma promessa de reembolso, é o mecanismo de venda/recompra que o BES já praticava há anos com a clientela emigrante. Foi essa garantia que obrigou a auditoria e a direção financeira do BES SA a constituir uma provisão nas contas de liquidação do BES. Em contabilidade, uma provisão é um passivo ao mesmo título que qualquer dívida”.

Mas os Emigrantes Lesados Unidos (ELU) vão mais longe na manifestação. “O nosso objetivo é também denunciar a corrupção atual em Portugal e os casos onde grandes devedores de estabelecimentos de crédito foram perdoados enquanto os emigrantes lesados – a quem foram comercializados produtos de alto risco sem o devido dever de informação – não foram ressarcidos”.

 

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LusoJornal