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Livro e filme sobre Aristides de Sousa Mendes vão ser apresentados amanhã em Paris

O realizador português radicado há mais de 50 anos na Bélgica, João Correa, vai apresentar esta terça-feira, às 20h00, no Cinema Paris-Lucernaire, o livro «Sousa Mendes, Le Cônsul de Bordeaux – Regards sur la Belgique et de l’Europe au XXème siècle», editado pelas edições L’Harmattan et o filme «Le Consul de Bordeaux» que realizou com Francisco Manso.

Está previsto um debate na presença de Marc Daout, neto de Aristides de Sousa Mendes, Claude Berger, João Correa, Vinciane Georges, Henri Seroka e o Diretor do LusoJornal, Carlos Pereira.

O livro surge precisamente no seguimento do filme que João Correa realizou, com Francisco Manso, «Le Consul de Bordeaux», sobre Aristides de Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordeaux, durante a segunda Guerra mundial e que, desobedecendo às ordens de Salazar, salvou mais de 30.000 pessoas, concedendo-lhes vistos para entrada em Portugal.

«Eu não sou historiador, por isso não queria fazer uma biografia do Aristides de Sousa Mendes» disse o autor numa entrevista ao LusoJornal. «Por isso o livro vai muito mais além do que falar do Aristides. Fala também da Bélgica e da Europa, com reflexões pessoais» explica João Correa.

O prefácio do livro é de Pierre Mertens, mas integra também dois textos de dois ex-Ministros da cultura franceses: Jack Lang e Jacques Toubon. É possível que os dois estejam na sessão de apresentação do filme, em Paris. «Eles já gostaram do meu trabalho. Agora falta saber o que pensam os leitores, porque é um livro especial» confessa o autor. O livro já foi editado na Bélgica pelas edições Orfeu.

Foi por acaso que João Correa realizou o filme sobre Aristides de Sousa Mendes. «Na altura estava a fazer investigação para uma série televisiva que tinha uma parte sobre refugiados e fui parar a Bordeaux onde encontrei um padre [ndr: trata-se de Bernard Rivière, um dos três homens que deram a conhecer o ‘caso Aristides’ na Europa] que me falou muito no Cônsul de Bordeaux e que me motivou muito a fazer um filme».

Ainda hoje, João Correa diz que «custa acreditar como é que um homem assinou 30.000 vistos em poucos dias» mas depois diz que ele próprio viu alguns exemplares desses vistos. «Vi um deles, em Nova Iorque. Tratava-se de um carimbo numa folhinha de papel, com a assinatura ‘Mendes’. Custa acreditar que aquilo tenha servido de visto, mas serviu» diz ao LusoJornal.

Bordeaux passou de 250.000 habitantes para quase 1 milhão, em pouco tempo. A Alemanha Nazi avançava em França e em Bordeaux concentravam-se milhares de refugiados, muitos Judeus, muitas das famílias mais ricas e poderosas da Europa central. Salazar tinha escrito a célebre Circular 14, para impedir que a rede diplomática concedesse vistos de entrada em Portugal a refugiados e perseguidos dos países em guerra.

Aristides de Sousa Mendes decidiu desobedecer, na esperança que Salazar, católico como ele, saberia que era mais importante «obdecer à lei de Deus, do que à lei dos homens». Mas Salazar nunca lhe perdoou.

Fascinado pelo homem, que foi também Cônsul de Portugal em Antuérpia, João Correa encontrou produtores, sugeriu ao primo, Francisco Manso, que se associasse a ele na realização, e filmaram em Viana do Castelo. O ator Vítor Norte representa Aristides, mas no filme entram também atores como Carlos Paulo, João Monteiro, Leonor Seixas ou Laura Soveral.

 

O livro sai estar em venda a partir do dia 1 de novembro.

O filme vai sair nas salas de cinema francesas no dia 22 de novembro.

 

Terça-feira, 24 de outubro, 20h00

Cinema Paris-Lucernaire

53 rue Notre Dame des Champs

75006 Paris

Infos: 01.45.44.57.34

 

 

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