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Jean-Jacques Fontaine, jornalista suíço com uma longa experiência brasileira, lançou no espaço de poucos meses, entre junho e setembro, dois novos livros sobre a atual conjuntura daquele que é o quinto maior país do mundo: “Le Brésil de Jair Bolsonaro” e “L’Amazonie en feu: état d’urgence”. Se o primeiro consiste num conjunto de crónicas escritas entre abril e maio deste ano, o segundo foi escrito na urgência durante os fogos que devastaram parte da maior floresta tropical do planeta.

Jean-Jacques Fontaine foi, numa fase mais recuada, entre 1980 e 1989, correspondente no Brasil para a imprensa belga, canadiana e helvética e, depois de quase 20 anos a trabalhar para a televisão suíça, passou a viver no Rio de Janeiro de 2007 a 2016. Dominando a língua portuguesa perfeitamente, Jean-Jacques Fontaine tem acompanhado de perto a evolução da sociedade brasileira e refletido sobre os seus avanços e retrocessos. Antes destes dois livros, publicou, em 2014, “L’Invention du Brésil: de crise en crise un géant qui s’affirme” e, aquando do Jogos Olímpicos no Rio, lançou “2016, Rio de Janeiro et les Jeux Olympiques”.

Sobre “Le Brésil de Jair Bolsonaro”, Jean-Jacques Fontaine, que falou com um vasto leque de brasileiros, desde intelectuais das ciências humanas ao simples transeunte, explica que “no meio da divisão politica entre direita e esquerda existe uma grande parte da população que está resignada, que não se manifesta, e uma outra, mais pobre, influenciada pelos evangelistas, que apoia Bolsonaro”. O autor helvético fala também nas divisões internas no seio do próprio Governo brasileiro. “De um lado, temos os ideólogos, Bolsonaro, os seus filhos e Olavo de Carvalho, que apenas desejam afirmar a despetização e os valores conservadores, mas sem vontade de fazer um Governo para toda a população”, explica, “do outro lado, temos os tecnocratas, em torno do Ministro da economia Paulo Guedes, que são neoliberais, claro, mas que querem realmente reformar o país, recolocar a economia nos trilhos. Porém não conseguem porque são freados pelos tais ideólogos”.

Já “L’Amazonie en feu: état d’urgence” remete-nos para os fogos de agosto deste ano e aponta o dedo acusatório às políticas de “desenvolvimento produtivo da Amazónia” levadas a cabo pelo Governo Bolsonaro que, no intuito de favorecer o agronegócio, conduziu ao incremento da desflorestação e das queimadas selvagens, cujo radicalizar deu então origem aos gigantescos fogos com impacto mais do que garantido no clima global. Este grito de alerta de Jean-Jacques Fontaine insere-se na crescente tomada de consciência, nomeadamente pela parte das novas gerações, para o inegável contributo da ação humana no fenómeno das alterações climáticas que já se fazem sentir no nosso dia a dia.

 

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