LusoJornal | Mário Cantarinha

Luís Montenegro quer que os próximos candidatos do PSD “estejam muito ligados aos círculos respetivos”

Política


De passagem por Paris, no quadro do programa “Sentir Portugal”, o LusoJornal colocou três perguntas ao líder do PSD, Luís Montenegro.

Na última eleição legislativa, os militantes do PSD na Europa contestaram a escolha da candidata Ester Vargas por considerarem que os candidatos devem ser desde círculo eleitoral. Deixou esta promessa aos seus militantes?

Este não foi um assunto que nós abordamos, não foi uma promessa, mas toda a gente que me conhece sabe que eu tenho um histórico, não só a defender, mas também a concretizar, que as escolhas têm que estar muito ligadas aos círculos respetivos. Isso acontece no círculo da Europa, mas também fora da Europa e acontecerá também nos círculos nacionais. Não quero aqui deixar uma daquelas promessas categóricas, mas obviamente que eu estou muito atento e que tendo responsabilidade de fazer as próximas listas, teremos gente das Comunidades na lista de emigração. Eu só não estou hoje ainda a perspetivar este assunto, porque nós só temos eleições em 2026; é só por isso. Mas quem me conhece sabe a maneira como eu penso, não terá alguma dúvida que é isso que vai acontecer. Eu só não estou a fazer isso de forma mais explícita porque não é o momento.

Percebi que o PSD quer que haja voto por correspondência também para as eleições Europeias e Presidenciais. Mas qual é a sua opinião sobre o voto eletrónico?

Nós defendemos o voto eletrónico, de tal maneira que introduzimos na Constituição a própria possibilidade do voto eletrónico para todas as eleições, para ser concretizado depois na lei eleitoral. No caso das Comunidades, nós já apresentámos um Projeto de Lei precisamente para haver um primeiro exercício piloto, já nas próximas eleições europeias, com o objetivo de implementar o voto eletrónico em todas as eleições. Nós temos que ter, evidentemente, a possibilidade das pessoas votarem presencialmente, votar por correspondência e votar eletronicamente. O voto eletrónico vai acabar por consumir os outros, mas, pelo menos num primeiro exercício deve-se ser tentado, e depois, se concluirmos que o método é fiável e tem bons resultados de participação, eu estou convencido que isso será o futuro. A participação política é, talvez, uma das formas mais eficientes de manter os laços de unidade entre a nossa Comunidade e de ligação ao nosso país. Nós não temos receio nenhum de dar esse passo, apenas queremos dar com segurança, com certeza, mas sem estarmos aqui eternamente. Não queremos estar como o Partido Socialista está: por um lado diz que sim e por outro lado diz que está à espera do momento ideal e do método perfeito… daqui por 100 anos ainda estaremos neste ponto.

Ainda há poucos anos tínhamos cerca de 250 mil eleitores, agora temos cerca de 1,4 milhões de eleitores. Tínhamos 4 Deputados, agora continuamos com 4. Qual a sua proposta de alteração da representatividade dos Portugueses que residem no estrangeiro?

Eu defendo que o método de eleição dos Deputados da Assembleia da República tem de ter acertos. Temos que ver o princípio da representatividade dos eleitores e também o princípio da territorialidade. Não é só o número de pessoas, mas é também o território. No caso das Comunidades, uma coisa é quando tínhamos 20 ou 30.000 pessoas a exercer o direito de voto, agora é chegarmos a 300, 400 ou 900 mil. A representatividade aí terá de ser maior. Nessa altura eu creio que também por essa via, nós poderemos vir a ter um reforço de representação nas Comunidades e da sua capacidade de estar mais próximo das pessoas, sem qualquer dúvida.

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