LusoJornal / António Borga

Mairie de Paris 17 acolheu evento sobre lusofonia

A Mairie de Paris 17 vestiu, na quarta-feira da semana passada, as cores da lusofonia, numa iniciativa da Embaixada de Cabo Verde em Paris, organizada por Bruno António, Consultor para o reforço das relações entre a França e Cabo Verde.

O evento foi apresentado pelo jornalista Philippe David, da Sud Radio, também ele lusófono, e começou com declamação pelos alunos de português da Association Culturelle pour les Etudes Portugaises (ACEP) – mais conhecida por Escola Fenelon – de poemas de autores oriundos de todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Foram lidos poemas de Sophia de Mello Breyner, Carlos Drumond de Andrade, Agostinho Neto, Noémia de Sousa ou Jorge Barbosa, entre outros. Os alunos subiram ao palco acompanhados pelo Embaixador do respetivo país, ou pelo seu representante.

Geoffroy Boulard, jovem Maire de Paris 17, lembrou os laços “muito fortes” que unem a França e os diferentes países de expressão lusófona. Evocou a forte Comunidade portuguesa em França, com mais de 1,5 milhões de pessoas – que considerou ser uma “Comunidade presente e integrada no bairro” – mas referiu também que a maior fronteira da França é com o Brasil, na Guiana francesa, lembrou os programas franceses de formação e de ajuda ao desenvolvimento, como por exemplo em Angola e em Moçambique, e o programa de segurança regional no Golfo da Guiné.

No seu discurso, o Embaixador de Cabo Verde em França, Hércules Cruz, lembrou que Cabo Verde integra a CPLP, mas também a Francofonia e a União Latina. “Gostamos de interagir entre estes três mundos”.

“Estamos bem posicionados para estabelecer pontes entre estas organizações, mas também entre elas e a sociedade civil”. Lembrando orgulho de ser ao mesmo tempo francês e lusófono, Hércules Cruz referiu que “a pior coisa que nos pode acontecer não é a de termos várias identidades, mas é a de não termos nenhuma identidade”.

“Queremos uma identidade que sirva, não para ser uma coisa para diminuir, mas que sirva como alavanca para os Portugueses em geral que vivem em França, mas também para os Cabo-verdianos e para grande parte do nosso mundo lusófono”, indicou ainda o Embaixador cabo-verdiano.

A ouvi-lo estavam várias personalidades, como por exemplo o Senador de Saint Pierre et Miquelon Stéphane Artano, o Deputado português Paulo Pisco, o Embaixador do Brasil, a Embaixadora da Guiné-Bissau e o Embaixador do Senegal.

A intervenção de Bruno António começou com a evocação de Léopold Sédar Senghor. “O retrato dele, no muro desta Mairie, evocou-me a razão pela qual eu estou aqui esta noite”. Lembrou que Senghor estava intensamente ligado à sua terra natal, reivindicando também a “francidade”. “É para mim um modelo, a quem devo algumas das minhas convicções e que me inspirou para a organização desta noite”.

Bruno António afirmou ainda que Senghor, que morou em Paris 17, é descente de Portugueses. Esta descendência não está estabelecida, mesmo se a família de Senghor tem raízes na Guiné Bissau e que Senghor deriva da palavra portuguesa Senhor.

“Somos franceses e lusófonos, recebemos a herança da saudade, estamos intimamente ligados ao mar, temos o ritmo do batuque na pele” disse Bruno António no seu eloquente discurso. “Mas não esquecemos também da terra que nos acolheu, este país que nos oferece uma vez mais, esta noite, uma tribuna, agradecemos à França e aplaudimos a França”.

Durante o evento foram projetados pequenos vídeos de entrevistas com artistas e jornalistas, que falaram da lusofonia: a jornalista lusodescendente Helena Morna, a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, a soprano portuguesa Raquel Camarinha e o humorista cabo-verdiano Fary.

Seguiu-se uma Mesa redonda com o músico franco-brasileiro Philippe Baden Powell e a cantora franco-cabo-verdiana Mariana Ramos. E o artista Le H criou uma obra que ofereceu depois à Mairie de Paris 17.

“Aqui em França, a lusofonia é um pouco esquecida. Mesmo quando se trata da Comunidade guineense, temos pessoas que se identificam mais com a francofonia do que com a lusofonia e quanto mais vamos fazendo atividades deste género, mais estamos a reforçar a nossa presença”, indicou à Lusa Filomena Mascarenhas Tipote, Embaixadora da Guiné Bissau em França, que marcou a noite por ter falado em “luso-francofonia”.

“Evidentemente queremos fazer algo inspirado no instituto Camões, que se chamará Instituto Guimarães Rosa e acho que isso vai dar um bom empurrão na difusão da língua portuguesa no mundo”, afirmou o Embaixador do Brasil em França, Luís Fernando Serra.

 

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