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A filósofa Maria Filomena Molder estará em Paris na terça-feira, dia 6 de novembro às 19h00, na Fundação Calouste Gunbenkian. Fará uma intervenção no âmbito do ciclo de conferências proposto por Helena de Freitas, a Comissária da exposição “Gris, vide, cris” de Rui Chafes e Alberto Giacometti que está patente nos locais da Fundação até dia 16 de dezembro.

A exposição comporta onze esculturas e quatro desenhos de Alberto Giacometti e sete esculturas de Rui Chafes, seis delas inéditas, criadas especialmente para esta exposição. A Comissária Helena de Freitas já havia comissariado no ano passado a concorrida exposição de Amadeu de Sousa Cardoso no Grand Palais, em Paris.

Intitulada «Un trou dans la neige», um buraco na neve, Maria Filomena Molder relembra na sua conferência um texto autobiográfico de Giacometti, em que ele conta que por volta dos 4 ou 5 anos de idade, tinha uma paixão pela neve e o desejo irrepreensível de estar numa pradaria, onde através de um pequeno pau pontiagudo faria um minúsculo buraco na neve e no qual se meteria com o seu pequeno saco e se esconderia todo o inverno. Do exterior da abertura seria quase invisível. O desejo do pequeno Alberto nunca se chegou a concretizar.

No momento em que tomou a decisão de mostrar algumas esculturas minúsculas de Giacometti através de pequenas aberturas num túnel de ferro pintado de preto, Rui Chafes parece ter encontrado uma maneira de “conseguir esse desejo e mesmo além dele”, explica a organização.

Este é um ponto de partida para penetrar nos contrastes que a exposição de Rui Chafes e Alberto Giacometti nos dá a ver. Os dois artistas nunca se encontraram tendo em conta que Rui Chafes nasceu poucos meses depois da morte de Alberto Giacometti. Como explica Helena de Freitas, não se trata de uma confrontação entre as obras dos dois artistas, mas sobretudo de um “encontro”. Este ciclo de conferências é uma oportunidade de pensar as similitudes e a dissonâncias entre estes dois artistas.

Maria Filomena Molder venceu este mês o prestigioso prémio do PEN Clube Português com o ensaio “Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais”, editado pela Relógio d’Água. Professora catedrática em Estética da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde foi coordenadora do Departamento de Filosofia (de julho de 2006 a setembro de 2007). Entre 2003-2009 foi membro do Conselho Científico do Collège International de Philosophie.

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Fundação Calouste Gulbenkian

39 boulevard de la Tour Maubourg

75007 Paris

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Até 16 de dezembro

Durante da semana, das 9h00 às 18h00

Aos sábados e domingos, das 11h00 às 18h00

Encerra às terças-feiras.

 

 

LusoJornal / Carlos Pereira
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