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Sem nunca se terem cruzado, tanto Jean Moulin como o General Leclerc passaram por Lisboa. É o que ficamos a saber no novo Museu que foi inaugurado este domingo em Paris, no 75º aniversário da Libertação da capital francesa, juntando mais de 300 objetos que contam a ocupação nazi e abre pela primeira vez ao público o abrigo que serviu de quartel general à Resistência.

Jean Moulin, que coordenou e unificou a Resistência francesa até 1943 – ano em que foi preso e torturado até à morte pelos nazis -, passou pela capital portuguesa no outono de 1941, fazendo mesmo parte da exposição permanente uma ficha da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, antecessora da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), vigente em Portugal durante o Estado Novo, que o identifica com o nome falso de Joseph Mercier.

Já o General Leclerc – que se chamava Philippe de Hauteclocque e acabou por adotar oficialmente o nome Leclerc, pelo qual era conhecido na Resistência – passou por Lisboa na sua fuga de França em 1940 para ir ter com De Gaulle a Londres.

Através de documentos, painéis interativos e objetos pessoais este novo Museu conta não só os acontecimentos ocorridos entre 19 e 25 de agosto de 1944, que resultaram na libertação de Paris da ocupação alemã, mas também a história da II Guerra Mundial e, especialmente, da Resistência francesa.

Para ilustrar quem preferiu seguir De Gaulle a submeter-se a Pétain e ao regime de Vichy, o Museu destaca Jean Moulin e o General Leclerc, dois homens vindos de meios diferentes e com diferentes percursos, mas que participaram ativamente no combate aos nazis.

Paris já tinha um Museu dedicado à Resistência e à sua libertação, mas a localização fora dos circuitos turísticos e as instalações pouco modernas, levaram a Mairie de Paris a procurar uma alternativa. Assim, quatro anos de projeto depois e 11 milhões de euros de investimento, o novo Museu da Libertação de Paris abriu portas na praça Denfert-Rochereau, em frente à entrada das Catacumbas de Paris.

A grande novidade deste espaço é a abertura ao público do abrigo de guerra ou como era apelidado nos anos 1930, época em que foi concebido, de defesa passiva. Sendo anteriormente um dos edifícios onde eram geridas as águas de Paris, havia um abrigo para os funcionários continuarem o seu trabalho em caso de ameaça de bomba.

 

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