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Entre os dias 3 e 6 de dezembro, teve lugar uma visita de um conjunto de municípios da região do sudoeste alentejano, à região Hauts-de-França.

LusoJornal aproveitou a ocasião para entrevistar um dos Presidentes de Câmara que fazia parte da delegação, o Presidente da Câmara municipal de Aljustrel, Nelson Brito.

 

Qual o motivo da vossa vinda aqui ao Norte de França, de uma certa maneira uma região oposta geograficamente ao Alentejo?

Viemos de uma região do Baixo Alentejo ver os bons exemplos e o que é a boa prática de uma nova agricultura, nomeadamente da agricultura sustentável. Seja no Norte ou no Sul, toda a agricultura é corresponsável, toda a agricultura está ou deve estar ciente do que é a boa prática ambiental, agricultura a partir de novos conceitos sustentáveis, a partir de novas energias, energias alternativas, agricultura que cada vez mais vê o seu futuro na perspetiva do turismo rural. O Alentejo, que tem hoje uma agricultura intensa, com olival e amendoal em ligação com o empreendimento da barragem do Alqueva, tem também a necessidade de uma visão alternativa dentro do próprio setor agrícola, que é o de preservar a natureza a partir de produtos endógenos, de produtos que fazem parte da nossa história, como são o grão, as ervas aromáticas e os enchidos. Há hoje uma agroindústria que se quer demarcar de um cariz intensivo, com um outro tipo de envergadura, uma outra maneira de abordar os mercados. É precisamente isso que viemos ver nos Hauts-de-France. Uma agricultura de circuitos curtos, do mercado local, dos pequenos supermercados. É necessário apoiar as novas tendências da agricultura familiar, agricultura de marido e mulher, de pai e filhos. Outra coisa que para nós é importante, a partir do exemplo de Lens e da sua região, que é a questão da mineralização e do pós-fecho das minas: como se pode sobreviver? Como é que uma região pode continuar a laborar? Embora atualmente as minas de Aljustrel trabalhem com muito vigor. Temos de preparar o futuro, para tal foi importante vermos aqui como pode reagir uma comunidade ativa após o fecho das minas, como reagir com os nossos novos, crianças e com os guardadores que são as pessoas mais velhas.

 

Portugal possui igualmente práticas que a França poderá tentar pôr em ação?

Há aqui em França uma lógica de boas práticas, contudo, por exemplo, Portugal está mais avançado que a França no que diz respeito às energias alternativas. Portugal não produz energia nuclear, teve de tirar proveito das energias sustentáveis. Temos de estar conscientes que Portugal não está em tudo na cauda da Europa. Nas energias alternativas, Portugal tem um avanço em relação a outros países europeus, podemos demonstrar boas práticas, nestes casos a França pode aprender connosco.

 

Quer-nos falar do acolhimento aqui na região pelos Franceses e particularmente pelos Portugueses?

Deixámos aqui um agradecimento aos Franceses e à França, como um verdadeiro país europeu. O projeto de Jean Monnet foi o que vimos aqui estes dias. Convém lembrar aqui que o projeto de Jean Monnet é igualmente o de uma Europa de paz, de humanidade, num momento em que vivemos convulsões económicas e políticas importantes. Portugal e França são precisamente o exemplo do que deve ser uma Europa de irmandade, de paz, o pilar do que a Europa defende. Por outro lado, tivemos oportunidade de ver que a Comunidade portuguesa é uma Comunidade forte, com uma grande ideia do que é a diáspora, o olhar para o saudosismo e para a sua gente. Os Alentejanos que souberam que estávamos por cá, manifestaram enorme carinho e presença à boa maneira do povo português, à boa maneira de Aljustrel. Um dos valores do povo português, dos Aljustralenses é mantermos um espírito de amizade, de fraternidade e convívio. As Comunidades emigrantes são precisamente as que dão mais valor a estes princípios. Tiveram muito orgulho de marcar presença hoje aqui connosco, é isto que marca, é isto a portugalidade, o gostar do nosso país, da nossa terra.

 

Depois desta vinda aqui aos Hauts-de-França, será que vai haver continuidade?

A visita foi uma ação da Comunidade intermunicipal. Como é sabido, Aljustrel tem uma geminação com a vila de Hem, são estes laços diretos que queremos continuar a ter. Aproveito para deixar um forte abraço a toda a Comunidade de Aljustrel que reside em Hem e à Câmara com quem temos laços de irmandade. Estivemos aqui numa presença coletiva, com muitos outros municípios alentejanos, é evidente que desta vinda, novos laços foram criados, novas relações que a seu tempo produziram os seus frutos.

 

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