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Cultura

 

A jornalista e escritora sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil – radicada na região parisiense desde 1985 – passou estas últimas semanas no Brasil a promover “No Crepúsculo da Vida” (Editora Pátua), o seu mais recente romance.

Doutorada em informação e comunicação pela Universidade de Paris VIII e pós-doutorada pela EHESS, Mazé Torquato Chotil é autora de vários livros, tanto em francês como em português, destacando-se “Minha Paris Brasileira”, “Trabalhadores exilados”, José Ibrahim”, além dos recentíssimos “Maria d’Apparecida negroluminosa voz” e “Na Rota de traficantes”.

“No Crepúsculo da Vida” relata o encontro de duas amigas na cidade normanda de Rouen, onde elas fazem o balanço das suas vidas e analisam o tempo que passou e aquele que virá. E este livro é sobre isso mesmo: o tempo.

Esse final de semana em Rouen – essa viagem é o presente que Marta oferece a Lúcia pelo seu aniversário -, à sombra da catedral pintada de maneira maníaca por Claude Monet, permitirá às duas amigas (que aproveitam a liberdade de deixar filhos e maridos em casa) avaliar as transformações provocadas pelo tempo, nomeadamente nos seus corpos. Uma abordagem salutar que choca com a obsessão contemporânea pela juventude, um vício ainda mais estranho quando a demografia faz o caminho inverso, tendendo para um inexorável envelhecimento da população.

“As mudanças físicas e mentais foram muitas, chegaram aos poucos, se acumulando dia após dia, como se não quisessem fazer alardes para não serem percebidas. Primeiro veio o uso de óculos para a leitura desde os 50, depois a menopausa que trouxe secura nos olhos, na pele… Um olhar mais demorado no espelho lhe mostra o que tem acontecido com seu aspeto, marcas antes não percebidas até os 50”.

O forte pendor autobiográfico desta obra é claro. Mazé Torquato Chotil encontra-se nas suas personagens, nos seus passados, nas suas vivências, como tão bem mostra este excerto: “Agora com os pés no decênio dos 60, não pode deixar de pensar que o tempo maior da vida que lhe foi dada ficou para trás. Teve a sorte de até agora ter trabalho, formado família, ter tido filhas e agora um neto, escrito livros, mudado de continente”.

Uma obra que também celebra o feminino e o cruzamento de culturas – “uma presença quotidiana no seu universo de duas culturas que vivem paralelas ou juntas” – como formas de valorizar a vida, mas que, tratando-se do crepúsculo da existência, não esquece a morte, essa inevitabilidade.

 

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