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O Presidente eleito de Cabo Verde, José Maria Neves, afirmou, em entrevista à Lusa, que pretende trabalhar e dialogar com todos as sensibilidades políticas e sociais, mas promete “mudanças” para ser “atuante”.

“O essencial é trabalhar com todos. Serei um Presidente aberto a todas as sensibilidades políticas e sociais. Um Presidente que dialogará com o Governo, fará as articulações necessárias, será um fator de construção de consensos e procurará mobilizar toda a nação global cabo verdiana, nas ilhas e a diáspora, para que todos unidos possamos fazer face aos desafios com que Cabo Verde se confronta neste momento”, afirmou José Maria Neves.

O antigo Primeiro-Ministro, de 2001 a 2016, pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, atualmente oposição), foi eleito no domingo, à primeira volta, o quinto Presidente da República de Cabo Verde, com 51,7% dos votos, e prevê tomar posse “na primeira semana de novembro”, data que será definida pela Assembleia Nacional. “Após a minha tomada de posse haverá algumas mudanças, haverá mudanças. Eu serei um Presidente presente e um Presidente atuante. Portanto, as mudanças serão desde logo no diálogo com a sociedade cabo-verdiana, com os órgãos de soberania e com os principais partidos políticos da oposição”, disse, em entrevista à Lusa, na cidade da Praia.

“A minha prioridade é o combate à pandemia e à reconstrução do país”, acrescentou.

Sobre a cerimónia de tomada de posse, José Maria Neves explicou que os convites, nomeadamente a Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), já foram feitos. “Teremos vários Chefes de Estado e de Governo. Não posso ainda anunciar as visitas e as estadias aqui, de vários Chefes de Estado, mas estarão presentes vários Presidentes da República, entre os quais o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa”, disse ainda.

Antes da tomada de posse, José Maria Neves admite ainda uma visita ao exterior do país, mas sobre a primeira visita oficial ao estrangeiro como Presidente da República, não prevê para já qualquer deslocação. “Há a possibilidade de eu fazer uma rápida visita ao exterior enquanto Presidente eleito. Estamos a discutir se será possível, mas ainda não podemos divulgar e concretizar o país que será visitado, há um conjunto de questões. Temos logo de seguida o Orçamento do Estado [para 2022, discutido em novembro], que será debatido, e não gostaria de imediatamente sair do país com algumas questões que estarão em debate no Parlamento. Portanto, nas próximas semanas após a tomada de posse não será plausível a minha saída do país”.

Segundo os dados da Direção Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) e da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Maria Neves contabilizou 95.803 votos, com 100% das mesas apuradas, enquanto o principal opositor, Carlos Veiga, também antigo Primeiro-Ministro (1991 a 2000), voltou a falhar a eleição, pela terceira vez (2001 e 2006), garantindo 78.474 votos, equivalente a 42,4%.

“Eu pedi aos cabo-verdianos que definissem as eleições na primeira volta e pedi um voto claro dos cabo-verdianos. Pedi a confiança dos cabo-verdianos para juntos, com esperança e muita fé, conseguirmos a vitória necessária para enfrentar os desafios. E foi o que nós fizemos efetivamente”, apontou.

José Maria Neves admitiu que “já nos últimos dias da campanha percebia-se uma grande adesão popular” à sua candidatura: “A adesão era enorme e as pessoas estavam com outro brilho, uma nova esperança, uma confiança redobrada no país. E eu percebi que poderia ganhar à primeira volta e que o meu pedido aos cabo-verdianos poderia ser satisfeito”.

Às eleições de domingo já não concorreu Jorge Carlos Fonseca, que cumpre o segundo e último mandato como Presidente da República, mas registou-se um recorde de sete candidatos presidenciais.

Cabo Verde já teve quatro Presidentes da República desde a independência de Portugal em 1975, sendo o primeiro o já falecido Aristides Pereira (1975-1991) por eleição indireta, seguido do também já falecido António Mascarenhas Monteiro (1991-2001), o primeiro por eleição direta, em 2001 foi eleito Pedro Pires e 10 anos depois Jorge Carlos Fonseca.

 

Paulo Julião, Lusa

 

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