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No dia 25 de Abril de 1974, era uma criança que acabava de aprender a falar…

Para mim essa data é uma canção alentejana, é uma foto a preto e branco com cravos vermelhos nos canhões das espingardas, um carro militar parado num semáforo de Lisboa com as ruas ainda desertas, é o fim das torturas no forte de Peniche com o cheiro a mar à mistura, é um grupo de Capitães militares a tomar o poder para entregá-lo ao povo, caso raro, é um sopro como um vento leve de primavera, cheio de esperança e fé, um perfume de liberdade que dá durante uns instantes a sensação que tudo é possível. Rostos risonhos com bigodes e cabelos compridos, calças à boca de sino, que acreditam no amanhã…

Neste quadragésimo aniversário, as imagens desvanecem e deixam um trago amargo na boca: milionários por um lado, pais sem poder dar de comer aos filhos do outro, jovens e menos jovens a ter de sair, aos milhares, do país que amam, à procura “de uma vida melhor”…

Há 50 anos já era usada a expressão, fugindo então a uma situação imposta pela ditadura. Hoje fogem a uma situação imposta por vários elementos, longe do espírito do 25 de Abril…

Neste aniversário só tenho um desejo: que em breve possamos voltar a sentir a esperança e a fé no futuro que se viveu há 40 anos, no dia 25 de Abril 1974.

Bom aniversário a todos!

 

Jacqueline Corado da Silva

Atriz

 

Testemunho recolhido para o LusoJornal, no quadro da Exposição sobre os 40 anos do 25 de Abril, do fotógrafo Mário Cantarinha, publicado na edição em papel do LusoJornal de abril de 2015.

 

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