LusoJornal / Mário Cantarinha

O 25 de Abril da escritora Cristina Branco

No 25 de Abril de 1974 vivia em Portugal, tinha 2 anos, filha de jovens que saíram de Portugal por razões políticas e também económicas, vivia, como alguns filhos de emigrantes, em casa dos meus avos. Os meus avos receberam o 25 de Abril com euforia, “para pior não haveremos de ir”, concluíram.

Nessa altura era ainda demasiado criança para me aperceber do que fora a realidade da ditadura ou a mudança que representava. Cresci no entanto entre a efervescência dos primeiros anos de eleições livres, na promessa de grandes mudanças, entre a expectativa dos que tinham vivido anos negros e que dali esperavam grandes feitos.

Neste preciso ano, e volvidos 40 anos desse 25 de Abril de 1974, comemoram-se as cinzas de um sonho do qual se esperou muito sem compreender que afinal o 25 de Abril fora um golpe militar, não fora de forma alguma uma revolta popular. E o povo revolta-se, mas falta-lhe coragem de travar os abusos de Partidos demasiado demagógicos, descaradamente corruptos e que provocaram nos últimos anos um êxodo tão grande como o dos anos sessenta.

 

Cristina Branco

Escritora

 

Testemunho recolhido para o LusoJornal, no quadro da Exposição sobre os 40 anos do 25 de Abril, do fotógrafo Mário Cantarinha, publicado na edição em papel do LusoJornal de abril de 2015.

 

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