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Opinião

 

É inaceitável que um indivíduo que desde há longos anos ocupa o cargo de Deputado da Emigração declare em público, como sucedeu recentemente na Assembleia da República, que é justo e correto proporcionar ensino gratuito e com qualidade do Português aos alunos oriundos dos países de acolhimento, sabendo que os alunos e portugueses e lusodescendentes foram relegados para um ensino inferior, a pagamento e desprovido de qualidade, onde a constante redução do número de alunos, cerca de 20 mil, levou à criação de grupos letivos com apenas 3 horas de aula semanais para alunos do 1° ao 10° ano, por vezes lecionados juntos porque a antiga flexibilidade de horários desapareceu e cursos que funcionavam duas vezes por semana passaram a ter apenas um dia.

É inaceitável que um Deputado da Emigração evidencie um domínio fraco da Língua Portuguesa, acusando de “xenofobia” aqueles que defendem a restituição às crianças e jovens portugueses nas Comunidades do direito constitucional a um ensino gratuito e com qualidade da sua língua de origem, direito que lhes foi retirado intencionalmente com o intuito de aumentar a oferta gratuita de aulas de Português para alunos estrangeiros, passando os Portugueses para um plano de cada vez maior inferioridade.

Se o Senhor Deputado acusa de atitude xenófoba quem condena as atuais e péssimas condições de ensino para os filhos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro, estando segundo os novos ditames o ensino gratuito quase reservado às crianças estrangeiras, o que será retirar direitos constitucionais aos Portugueses nas Comunidades para privilegiar estrangeiros? Traição a princípios patrióticos? Elitismo da pior espécie?

Cada um procure a expressão que achar melhor. Mas o que fica sempre é que se trata de uma atitude inaceitável, com os alunos portugueses sendo apenas 40% do sistema, pois 60%, a maioria, é agora de alunos estrangeiros.

E assim é também inaceitável que um Senhor Deputado, em Assembleia da República, sofra um ataque de amnésia intencional e esqueça que durante mais de 30 anos, com o Ministério da Educação, tanto os cursos durante o horário normal como aqueles fora dele estavam abertos aos alunos portugueses e àqueles dos países de acolhimento, todos se podiam inscrever e o ensino era gratuito para TODOS, fossem eles Portugueses ou não, um procedimento democrático e que dignificava a nossa língua e cultura no estrangeiro.

É abertamente inaceitável, discriminatório e antidemocrático o sistema atual, em que os alunos estrangeirtos são privilegiados e os Portugueses deliberadamente afastados, sob a capa de uma dita “internacionalização” do Português que afinal não deixa espaço para os Portugueses. Um procedimento sem dúvida xenófobo.

Não será também inaceitável que um orçamento recebido dos Estado Português esteja a ser aplicado maioritariamente no ensino do Português Língua Estrangeira a alunos estrangeiros, deixando de lado os Portugueses, que são obrigados a contribuir para o citado orçamento com a ignóbil “Propina”?

E não será também inaceitável que o Estado Português continue a dar apoio e aprovação ao afastamento das crianças e jovens portugueses do ensino da sua língua e cultura de origem, aceitando passivamente afirmações de sucesso por parte dos responsáveis por uma catástrofe linguística e cultural, tendo afinal o atual sistema de ensino menos de 50% das dimensões de 2009, mas onde é propagandeado desde 2021 o facto de ter sido aplicado um total de 40 milhões de euros na distribuição de tablets e computadores a alunos e professores no estrangeiro, embora até hoje ninguém tenha recebido nada?

Quanto ao Senhor Deputado da Emigração, basta dizer que com amigos desses não precisamos de inimigos.

 

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