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O duo Calema vai subir pela primeira vez aos palcos do Olympia de Paris no próximo dia 7 de maio, num concerto que promete ficar na memória de quem lá for. Cinco anos depois de terem decidido voltar para Portugal, os irmãos António e Fradique Mendes Ferreira tiveram um ano 2018 impressionante.

Quando ganharam o concurso Lusartist em Mutzig, na Alsácia, em 2012, os Calema não imaginavam que naquele momento estavam a mudar não apenas a vida dos dois irmãos, mas também a vida dos organizadores do concurso, Alexandre Cardoso e Cindy Peixoto.

Até lá, os dois irmãos viviam em Paris, onde ainda moram os pais, e faziam a música que gostavam, em acústico, acompanhados à viola.

Dois anos depois, em 2014, decidiram mudar-se para Portugal. “Foi na altura em que a música africana em Portugal estava com um nível muito alto” dizem ao LusoJornal.

“Decidimos ir só nós os dois, a nossa tia ajudou-nos bastante no início e depois fomos encontrando muita gente que nos ajudou”. E com a mudança dos dois irmãos para Lisboa, levaram também Alexandre Cardoso e mais tarde Cindy Peixoto, que continuam a ocupar-se dos dois “luso-artistas”.

Milhões de visualizações

Bastou um ano em Portugal e algum (muito) trabalho de estúdio, juntamente com Alexandre Cardoso, para que, em 2015, gravassem “Tudo por amor”. Foi o início do reconhecimento do trabalho dos dois irmãos, com 34 milhões de visualizações! “Foi o primeiro passo” confessam ao LusoJornal.

Um ano depois, em 2016, saiu o tema “Vai”. Segundo tema gravado em Portugal, e segundo sucesso. Tem atualmente mais de 46 milhões de visualizações. “Foi aí que começaram a dizer ‘estes vieram mesmo com garra e trouxeram algo novo para o mercado’”.

A promoção foi feita pelas redes sociais e começaram a cantar nas discotecas. “É difícil entrar no circuito, é um desafio onde temos de encontrar formas de entrar no mercado. Havia muitos outros artistas que estavam a tentar entrar ao mesmo tempo. Nós vimos que o mais importante era fazermos uma música que se identificasse com as pessoas, que transmitisse sentimento”.

Desde então, tudo se passou naturalmente e seguindo a estratégia que António e Fradique Mendes Ferreira definiram com Alexandre Cardoso. “As músicas começaram a passar nas discotecas, as pessoas começaram a partilhar” contam.

Em 2017 chega o primeiro álbum “A nossa vez”. O verdadeiro primeiro álbum internacional dos Calema.

A sonoridade, a escrita, tudo é dos Calema, e tudo era novo em Portugal. Mais do que um álbum, foi um conceito. “Quando o álbum saiu, o público agarrou de tal forma, as rádios passaram muito o álbum, começou a desenvolver-se, chegámos à conclusão que o nosso pensamento inicial estava a corresponder àquilo que as pessoas estavam a sentir. As pessoas começaram a dizer-nos que se identificavam com as nossas músicas, mães que vieram dizer-nos que as filhas adoraram, nós vimos que funcionou essa forma de pensar”.

A partir dai as coisas desenvolveram-se muito rapidamente. “Impossível sair com eles sem que as pessoas venham pedir para tirar fotografias, pedir autógrafos, gritos,…” conta Cindy Peixoto.

A música mais ouvida na história do streeming português

Em 2018, “A nossa vez”, o tema que deu o nome ao álbum, terminou o ano como a música mais ouvida na história do streeming na internet portuguesa, com mais de 70 milhões de visualizações.

E os concertos começaram a chover. Só no ano passado fizeram quase 80 concertos em todo o país. Esgotaram o Coliseu de Lisboa numa semana, abarrotaram o Coliseu do Porto e o Campo Pequeno. Aliás foi no Campo Pequeno que gravaram o DVD que deve sair este ano. E foram, muito naturalmente nomeados “Artistas Revelação” para os “Globos de Ouro”.

Já vai longe o tempo em que os dois irmãos se apresentavam sozinhos, em acústico, com as respetivas violas. Agora andam pelas estradas do país com uma equipa de 20 pessoas. “Levamos tudo para os concertos, as mesas de palco, os nossos técnicos, é um verdadeiro concerto” contam ao LusoJornal. “O objetivo é levar as pessoas para o universo que nós criámos na música, e nós conseguimos fazer isso. Conseguimos transportar as pessoas para o nosso universo”.

“2018 foi mesmo um ano em cheio para nós. Muita coisa boa aconteceu”.

No plano estratégico do grupo, 2019 é o ano da internacionalização. Gravaram um tema com Tony Carreira e “tivemos a oportunidade de trabalhar com artistas brasileiros, cujos trabalhos devem sair brevemente”.

Início da carreira internacional

A digressão europeia começou no Luxemburgo, onde o Casino 2000 esgotou numa semana. O concerto de Londres também teve casa cheia. Seguem-se agora os concertos da Suíça, de Colmar e de Paris, no Olympia.

“Não queremos dizer que os outros sítios não têm importância, mas cantar no Olympia é um sonho de qualquer artista, até pela história que a casa tem” dizem ao LusoJornal numa entrevista realizada na semana passada quando os dois irmãos estavam em promoção nas rádios francesas.

Na primeira fila do Olympia vão estar os pais de António e Fradique. “Eles têm grande orgulho em nós. Se pudessem estavam sempre nos nossos concertos” contam. O pai é motorista de camiões e a mãe é auxiliar de saúde, vivem em Paris. E os dois outros irmãos de António e Fradique moram em Londres.

Os Calema prometem um concerto “cheio de energia, de luz, de sol, com dança,… é isso que transportamos sempre”. E prometem fazer aquilo que fazem sempre: depois do concerto ficam para partilhar um momento com o público. “Por vezes, depois do concerto, estamos todos estafados, mas esse momento de partilha com o público não o podemos perder. Sem eles, nós não somos nada” dizem. “As coisas que têm estado a acontecer connosco são, sem dúvida, graças à nossa música, mas graças também à equipa que trabalha connosco para ultrapassar as dificuldades e graças a esse público maravilhoso que agarrou de certa forma a nossa música”.

O concerto de Paris vai ter convidados, como por exemplo Soraia Ramos, a irmã de Lisandro Cuxi, vencedor do The Voice em França, Kataleya, que cantou com eles “Tudo por amor”, e o grupo de caboverdianos “Rapaz 100 juiz”.

“Vai ser uma noite especial, e com convidados surpresa”.

O mercado francês é uma prioridade

Mas a internacionalização do grupo não passa apenas por um concerto no Olympia. “O objetivo é internacionalizar a nossa música” explicam ao LusoJornal. “Temos uma ligação muito forte com a França. Sentimos que a nossa história é muito pessoal. A França abriu-nos a porta e deu-nos possibilidades, agora queremos mostrar mais”.

Para isso sabem que têm de cantar em francês. Cindy Peixoto, que não os larga e que se “ocupa de tudo” traduziu e adaptou para francês o tema “Sombra” (guarda o mesmo título em francês). E o tema agrada. A assessora de imprensa francesa dos Calema, que já trabalhou com Johnny Hallyday, Sylvie Vartan, Florent Pagny ou M Pokora, afirma que os Calema “têm futuro certo” em França.

Enquanto preparam o novo álbum – a lançar mais para o fim do ano – António e Fradique Mendes Ferreira foram nomeados Embaixadores de Boa Vontade da UNICEF. “Tudo o que nós fazemos não tem sentido nenhum se não fizermos passar uma mensagem para mudar alguma coisa. Esperamos poder ajudar sobretudo as crianças” dizem ao LusoJornal. “Há grandes problemas com uma taxa muito alta de gravidez na adolescência em S. Tomé e Príncipe, taxa elevada de consumo de álcool na adolescência,… se nós podermos trabalhar, se todos estivermos unidos, vamos com certeza ter bons resultados. A nossa popularidade pode melhorar muita coisa”.

Os dois irmãos consideram que a escola é a solução para muitos problemas. “As pessoas têm de ter acesso à educação. Para mudarmos uma sociedade temos de resolver a base do problema. Temos de dar as bases que as pessoas nunca tiveram. A escola é a melhor forma de nós ajudarmos. Este é um trabalho não só nosso, mas temos de fazer passar essa mensagem”. E acrescentam que “nós tínhamos 99% de chances de desistir, mas agarramo-nos ao 1% de chance. As pessoas têm de ser persistentes, têm de ir atrás do sonho e nunca desistir”.

E só esta persistência explica que, 7 anos depois de terem sido capa do LusoJornal, os dois irmãos regressem agora a França para um concerto numa das mais prestigiosas salas do mundo: o Olympia.

Quem sabe se também vai encher?

 

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