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O Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris disse numa entrevista ao LusoJornal que a religião católica é a mais perseguida no mundo. “Segundo os dados que temos, somos os mais perseguidos” disse o Padre Nuno Aurélio. “Só para ter uma ideia, no século XX estima-se que 100 milhões de católicos e outros cristãos terão sido mortos. Nós recordamos bem o horror que foi o extermínio do povo judeu, acho que andou à volta de 6 milhões de pessoas, mas para os católicos são 100 milhões”.

Nuno Aurélio comentava numa “entrevista-live” ao LusoJornal, o atentado na Basílica de Nice que vitimou três pessoas. “É duro para nós católicos, como seria duro em qualquer outra circunstância, como foi duro quando foi a decapitação e o assassinato de um professor. É sempre duro quando alguém morre de forma violenta”.

Nuno Aurélio considera que a questão do terrorismo islamista “é algo de recente”. “O Papa Francisco tem dito que é isto a verdadeira blasfémia, quando se mata em nome de Deus, em nome de Allah. Matar em nome de Deus é que é uma ofensa. Aliás, é duplamente uma blasfémia, porque se mata o homem, que é a imagem de Deus, por outro lado por ser feito em nome de Deus”.

Interrogado se estes atentados contra igrejas em França vão criar situações de “defesa” por parte dos católicos, Nuno Aurélio lembra que “se uma religião estendeu a mão a todos, tem sido a igreja católica” e acrescenta que “da parte dos cristãos não haverá reação de ódio”.

“Um cristão autêntico, aquele que faz a experiência da eucaristia com todo o seu ser, de domingo a domingo, não pode partir para a vingança” resume.

 

A liberdade de expressão e a blasfémia

O Padre português diz que “é preciso não esquecer que a liberdade, a igualdade e a fraternidade, são uma criação cristã e que a separação entre a religião e o Estado, sem oposição, como Jesus diz no evangelho – dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus – é cristão. Pelo islão não há isso, a lei civil é a lei islâmica”.

Nuno Aurélio considera “estranha” a afirmação do Presidente Macron sobre o direito à blasfémia. “A blasfémia é um insulto. Eu aceito que uma religião possa ser criticada, que não haja acordo, que o desacordo seja possível, evidentemente, mas tenho uma certa dificuldade em aceitar o direito ao insulto. Eu posso não gostar de si, mas eu não tenho o direito de o insultar, nem a si, nem à sua mãe ou à sua família”.

“Eu defendo a liberdade de expressão, aliás, para nós cumprirmos a missão de Jesus, precisamos de liberdade” diz ao LusoJornal.

O jovem com pouco mais de 20 anos que entrou na Basílica de Nice para assassinar “em nome de Deus”, tem vindo a ser criticado por uma boa parte do “islão francês” e o Padre Nuno Aurélio diz que “quero acreditar que é sempre uma escolha pessoal”, mas depois acrescenta que “a expansão do islão não se faz da mesma maneira que a expansão do cristianismo. Por ignorância e preconceito, alguns setores ideológicos gostam de pôr as religiões todas no mesmo saco, dizem que são todas iguais, comparam práticas que houve na história do cristianismo infelizmente” disse ao LusoJornal, evocando as Cruzadas. “As Cruzadas não foram guerras de conquista, foram guerras de libertação, porque os cristãos que viviam na Terra Santa gritaram por socorro e pediram ajuda porque não suportavam mais viver naquela situação”.

“Não devemos esquecer que o Magrebe que hoje é muçulmano, antes nem era árabe, foi conquistado pelos árabes. Existiam ali cerca de 400 Paróquias. Tudo isso desapareceu para sempre” diz o Reitor do Santuário mariano em Paris.

Nuno Aurélio afirma que as religiões não são todas iguais. “Eu creio que a maioria dos muçulmanos que vivem aqui entre nós e connosco, cidadãos franceses ou estrangeiros, a sua opção será da paz”.

Os apelos ao diálogo inter-religioso têm surgido de vários quadrantes, assim como à organização de um “islão francês” que ajude a combater extremismos.

 

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