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As Comunidades brasileira e cabo-verdiana em França, que costumam passar o verão nos seus países de origem, estão “frustradas” por não poderem viajar e obrigadas a mudar os seus planos para as férias de verão deste ano.

“Existe um alívio de não estar lá, devido à maneira como tudo está a ser administrado no Brasil. Conheço pessoas que deveriam ir, não puderam e ficaram frustradas, mas, ao mesmo tempo, aliviadas de não estarem bloqueadas lá nesta situação”, afirmou Raoni Vasconcellos, professor e dirigente da associação Alterbrasilis, com sede em Paris, em declarações à Lusa.

O Brasil é um dos 16 países que fazem parte da lista escarlate da França de onde só estão autorizadas a voltar pessoas com nacionalidade francesa ou residência permanente comprovada no país, com obrigação de teste negativo à chegada – caso o teste feito já em solo francês seja positivo, a pessoa terá de fazer quarentena.

Assim, a Comunidade brasileira que vive em França não poderá, como é habitual, deslocar-se ao seu país de origem. Uma interdição que levou muitos brasileiros a mudar os seus planos. “A história da pandemia modificou os hábitos de quem parte para o Brasil em julho e agosto. Não temos ideia de quando podemos ir. […] Há quem esteja a adiar para dezembro, esperando que a situação melhore. Vamos mudando os planos pouco a pouco”, explicou Regina, que faz parte da associação Bresil Sur Seine Paris, que organiza noites culturais com música e danças brasileiras.

Também os cabo-verdianos estão a adaptar os seus planos, sem possibilidade regressar ao país de origem, pelo menos até ao início de agosto.

“Se muitas famílias já mudaram os planos e não vão a Cabo Verde, outros abriram um parêntesis para ver se é possível ir até ao fim do mês de agosto ou mesmo setembro. Assim que abrir, as pessoas vão como e quando puderem”, indicou Pedro Delgado, ex-Presidente da Federação das Associações Cabo-Verdianas em França.

Além da nostalgia das férias para quem vive e trabalha em França, Pedro Delgado detalhou que a Comunidade “está preocupada” com o que se passa em Cabo Verde. “Muitas pessoas têm pais idosos, outros têm bens em Cabo Verde e claro que todos têm vontade de ver a família e os amigos”, garantiu.

Delgado pensa ainda no impacto económico que estas mudanças nas férias dos emigrantes podem ter em Cabo Verde. “Há claro o dinheiro que se gasta quando se vai de férias, que este ano Cabo Verde não vai ter. A economia local vai sofrer”, referiu.

Do lado dos operadores de viagens, não há muito a fazer a não ser tentar gerir reembolsos e reagendar voos. “Todos os dias temos clientes que até têm bilhetes [para o Brasil ou Cabo Verde] para recuperar da Páscoa, porque não foram, e estão à espera para pô-los noutras datas”, concluiu Rui Lafayette, responsável pela agência de Paris da MZ Voyages, cadeia de agências na região parisiense que trabalha de perto com as Comunidades lusófonas.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 2,4 milhões de casos e 87.618 óbitos), depois dos Estados Unidos. Cabo Verde tem 2.328 casos e 22 mortos.

 

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