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O Parlamento de Cabo Verde vai votar na próxima semana um Projeto de Lei que estabelece as normas para o investimento direto no país dos Emigrantes cabo-verdianos, prevendo vários incentivos, como isenções fiscais.

A votação final pelos Deputados deste Projeto de Lei consta da agenda da primeira sessão ordinária da Assembleia Nacional em 2020, que acontece de 08 a 10 de janeiro, na Praia, conforme informação enviada à Lusa pelo Parlamento. A votação surge depois de várias alterações, no Parlamento, ao texto da versão do Projeto de Lei sobre o Estatuto do Investidor Emigrante em Cabo Verde, iniciativa do Grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, partido que suporta o Governo).

A sessão parlamentar que arranca na quarta-feira conta com a presença, para o instituto de debates com elementos do Governo, do Ministro do Turismo e Transportes e Ministro da Economia Marítima, José Gonçalves, indicado pelo Grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde. Para o instituto de perguntas ao Governo, também previsto no regimento da Assembleia Nacional, o MpD indicou o Ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Abraão Vicente.

A proposta a votação sobre o investimento de Emigrantes refere que a aprovação de um estatuto específico é “um dos desígnios do atual Governo, em relação à Diáspora”, visando disponibilizar incentivos específicos “a favor do investimento direto dos Emigrantes cabo-verdianos no território nacional”.

Cabo Verde conta com uma população inferior a 600 mil habitantes, estimando-se por outro lado que um milhão de cabo-verdianos vivam fora do país, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos da América, estando dependente das remessas desses Emigrantes.

Em concreto, entre outras medidas, a proposta estabelece que são isentos de tributação os dividendos e lucros distribuídos ao investidor emigrante e originados em investimento externo autorizado. Ficam, contudo, condicionados a um período de cinco anos contados a partir da data de registo do investimento, para efeitos de isenção.

Após o período de isenção, os lucros e dividendos do investidor emigrante passam a ser tributados através de um imposto único à taxa de 10%, “salvo disposições mais favoráveis contidas em acordos firmados entre o Estado de Cabo Verde e o país de acolhimento do investidor emigrante”, lê-se na versão do documento que vai a votação final no Parlamento.

São ainda isentas de tributação as amortizações e juros correspondentes a operações financeiras que constituem investimento do investidor emigrante.

Além disso, lê-se, sempre que um Emigrante cabo-verdiano pretende “construir a sua primeira habitação em Cabo Verde, a aquisição de material de acabamento fica isenta de imposto”.

A proposta define um quadro legal para a instalação do Balcão Único de Atendimento aos Emigrantes, bem como as condições especiais de acesso e aquisição de produtos bancários específicos.

O documento recorda que os investimentos diretos dos Emigrantes em Cabo Verde destinam-se “a suportar uma determinada atividade económica com objetivos comerciais, industriais ou de prestação de serviços, ou ainda de aquisições na área imobiliária”, constituindo “indubitavelmente um eixo de intervenção estratégico, prioritário e incontornável”.

O objetivo é “a captação do investimento estrangeiro e melhorar o ambiente de negócio e desenvolvimento do país”, lê-se ainda na proposta.

A proposta define um quadro legal que passa a permitir a criação, por Emigrantes cabo-verdianos, de uma nova empresa em Cabo Verde, sucursal ou outra forma de representação de empresas legalmente constituídas no estrangeiro; a participação ou aumento de participação no capital de uma sociedade comercial; a aquisição de títulos do tesouro ou de outros títulos de dívida pública emitidos por entidades públicas; ou o arrendamento ou aquisição de quaisquer direitos reais menores sobre bens imóveis em Cabo Verde destinados a um empreendimento.

Com o Estatuto do Investidor Emigrante será ainda possível celebrar contratos que impliquem o exercício de posse ou exploração de empresas, estabelecimentos, complexos imobiliários e outras instalações e equipamentos destinados ao exercício de atividades económicas; a cessão de bens de equipamento em regime de ‘leasing’ ou regimes equiparados, bem como em qualquer outro regime que implique a manutenção dos bens na propriedade do investidor emigrante ligado à atividade recetora por ato ou contrato.

 

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