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O novo disco de João Costa Ferreira dedicado à primeira gravação mundial de obras inéditas de José Vianna da Motta, foi lançado este sábado passado, em Lisboa, apesar do pianista estar radicado na região de Paris.

O disco acaba por ser “uma enorme surpresa”, tanto para o público em geral, como para a comunidade dos músicos e a comunidade científica (sobretudo musicólogos) porque conta com 16 obras para piano inéditas de Vianna da Motta compostas entre os seus 7 e 14 anos de idade, obras que revelam o génio de Vianna da Motta enquanto criança prodígio.

“O facto de D. Fernando II e a Condessa d’Edla terem na altura financiado os estudos do jovem pianista português, tem sido ao longo dos tempos entendido pelos historiadores e musicólogos como uma prova de que Vianna da Motta era excecionalmente dotado” explica João Costa Ferreira que é um estudioso daquele compositor português. “Também isso nos revelam as críticas dos jornais e outros testemunhos escritos mas até hoje não há provas ou demonstrações sonoras disso, do que Vianna da Motta era realmente capaz de fazer quando tinha, por exemplo, 7 anos”.

Este disco é pois “um testemunho vivo (porque sonoro) pois sabe-se que Vianna da Motta tocava as obras que compunha e percebe-se, aliás, pela escrita pianística que as compunha ao piano. Ou seja, Vianna da Motta escrevia aquilo que era capaz de fazer ao piano e aquilo que era capaz de fazer ao piano em tenra idade é deveras surpreendente» diz João Costa Ferreira ao LusoJornal.

João Costa Ferreira nasceu em Leiria e está radicado há 15 anos em Paris. Estudou no Conservatório de Leiria com o professor de piano Luís Batalha e em Paris na École Normale de Musique. Entretanto inscreveu-se na Sorbone, em musicologia, fez uma Licenciatura, um Mestrado, com investigação. Já no Mestrado estudou a obra de Viana da Mota, nomeadamente sobre as influências que Franz Liszt exerceu sobre a obra do compositor português.

José Vianna da Mota nasceu numa antiga colónia portuguesa, em São Tomé e Príncipe. Foi para Portugal estudar muito cedo e desde muito cedo revelou-se ser uma criança genial ao piano, tanto enquanto pianista, como enquanto compositor. Aos 14 anos foi estudar para Berlim, onde acabou por residir cerca de 30 anos. Com a I Guerra Mundial mudou-se para a Suíça, mas ainda antes do fim da Guerra, voltou definitivamente para Portugal, onde veio a exercer o cargo de Diretor do Conservatório Nacional. Aí implantou um determinado número de reformas que visavam a alteração do ensino da música em Portugal, nomeadamente no sentido de que era necessário para um músico, não apenas saber música, mas saber um pouco de todas as artes… ser um humanista.

João Costa Ferreira tem vindo a apresentar as obras que agora editou em disco, em prestações públicas – como na Gulbenkian em Lisboa, na Casa da Música do Porto, na Casa de Portugal em Paris e no Conservatório Real de Bruxelas e confirma “uma enorme estupefação do público face ao facto de Vianna da Motta compor assim em criança tem sido generalizada. Arriscaria a afirmar que estes inéditos de Vianna da Motta revelam o Mozart português”.

O disco tem a etiqueta mpmp (Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa) e é apoiado pela Fundação INATEL, Fundação GDA, Les Nouveaux Talents, Antena 2 e AvA Musical Editions.

 

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