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O romance «Os Loucos da Rua Mazur», de João Pinto Coelho, vencedor do Prémio LeYa deste ano de 100 mil euros, decorre em Paris e foi editado ontem em Portugal.

Quando foi conhecido o vencedor, o Presidente do júri, Manuel Alegre, afirmou que «Os Loucos da Rua Mazur» é um romance «bem estruturado, bem escrito, que capta a atenção quer pelo tema, quer pela construção em tempos paralelos».

O júri elogiou «as qualidades de efabulação e verosimilhança em episódios de violência brutal com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas» deste romance inédito de João Pinto Coelho.

Sobre o romance: «Paris, 2001. Yankel – um livreiro cego que pede às amantes que lhe leiam na cama – recebe a visita de Eryk, seu amigo de infância. Não se veem desde um terrível incidente, durante a ocupação alemã, na pequena cidade onde cresceram – e em cuja floresta correram desenfreados para ver quem primeiro chegava ao coração de Shionka. Eryk – hoje um escritor famoso – está doente e não quer morrer sem escrever o livro que o há de redimir».

Para escrever este livro, «precisa da memória do amigo judeu, que sempre viu muito para além da sua cegueira».

«Ao longo de meses, a luz ficará acesa na Livraria Thibault. Enquanto Yankel e Eryk mergulham no passado sob o olhar meticuloso de Vivienne – a editora que não diz tudo o que sabe -, virá ao de cima a história de uma cidade que esteve sempre no fio da navalha; uma cidade de cristãos e judeus, de sãos e de loucos, ocupada por soviéticos e alemães, onde um dia a barbárie correu à solta pelas ruas e nada voltou a ser como era», acrescentou a editora.

João Pinto Coelho nasceu em Londres há 50 anos e é licenciado em Arquitetura pela Universidade Técnica de Lisboa.

Para escrever este romance, o escritor baseou-se no trabalho de investigação que desenvolve há vários anos sobre o holocausto para mostrar «que os perpetradores não foram apenas os alemães, mas sim outros atores, os chamados atores improváveis».

Um dos protagonistas do livro, que o júri do prémio destacou pela sua «força humana» e como sendo uma personagem que irá ficar como «figura inesquecível da ficção», é o livreiro cego. «É um homem que está na fase final da sua vida, que tem uma livraria em Paris e que é judeu, que viveu na Polónia, que sobreviveu ao Holocausto, que sobreviveu na sua pequena cidade e que reencontra um amigo de infância cristão e uma editora», afirmou o autor.

No fundo, o livreiro é a personagem central da narrativa e é a única personagem a quem o escritor dá voz na primeira pessoa, de vez em quando, apenas em pequenos excertos.

O autor tem já publicado o romance «Perguntem a Sarah Gross» (2015), que foi finalista do Prémio LeYa em 2014.

 

 

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