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O pirata informático português, Rui Pinto, não vai ser extraditado para Portugal, visto que vai recorrer da decisão do tribunal de Budapeste, na Hungria. A justiça húngara tinha decidido extraditá-lo para Portugal nesta terça-feira.

A decisão foi anunciada pelo tribunal metropolitano de Budapeste, no final de uma sessão em que as partes apresentaram argumentos contra e a favor da extradição do português, que vive na Hungria.

França apoia Rui Pinto

Rui Pinto, que criou em 2016 o site internet “Football Leaks“, vai batalhar contra a sua extradição para Portugal. De notar que a Bélgica ou a França estão a trabalhar, no ponto de vista da justiça, com base em documentos por ele revelados.

Rui Pinto sente-se apoiado pelas autoridades francesas: “A minha prioridade é colaborar com a justiça francesa. Foi a justiça francesa que me mostrou mais garantias. Portugal nunca quis saber de mim. Portugal quer pôr a minha cabeça a prémio, quer me mostrar como um troféu, quer me tratar como um Bin Laden”, assegurou o pirata informático.

Os dados deste “whistleblower” estariam a ser passados a pente fino por uma investigação criminal dos procuradores franceses. A França revelou aliás que recebeu cerca de 12 milhões de documentos e que isto representa apenas 10% do que Rui Pinto terá em sua posse.

Caso “Rui Pinto”

Rui Pinto estava em prisão domiciliária em Budapeste desde 18 de janeiro, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na base do mandado estão o acesso aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento ‘Doyen Sports‘ e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de jogadores do Sporting e do então treinador Jorge Jesus, assim como de contratos celebrados entre a ‘Doyen‘ e vários clubes de futebol.

Em 13 de fevereiro, o tribunal húngaro rejeitou o recurso do Ministério Público daquele país para que Rui Pinto passasse a prisão preventiva, mantendo o português em prisão domiciliária, enquanto aguardava o desenrolar do processo de extradição para Portugal, ao qual se opôs.

Rui Pinto terá acedido, em setembro de 2015, ao sistema informático da “Doyen Sports Investements Limited“, com sede em Malta, que celebra contratos com clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).

O ‘hacker‘ é também suspeito de aceder ao email de elementos do conselho de administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD ‘leonina’.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

 

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