Secretário de Estado homenageou Elisabete Jorge: foi funcionária no Consulado de Lyon durante 55 anos

Quando passou por Lyon, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas Emídio Sousa e o Cônsul-Geral de Portugal naquela cidade, João de Deus, prestaram homenagem a Maria Elisabete Soares Barros Jorge, que esteve, durante quase 55 anos ao serviço dos Portugueses naquele posto consular.

55 anos não representam apenas um percurso profissional excecional, mas são também um pedaço da própria história da presença portuguesa em França.

Maria Elisabete Jorge, que iniciou funções a 17 de setembro de 1970 e se aposentou a 4 de julho de 2025, representa uma geração de servidores públicos cuja dedicação moldou a relação entre o Estado português e a sua diáspora.

Entrou para o Consulado com apenas 20 anos e 2 meses, naquele que seria o seu primeiro e único emprego. Quando começou a trabalhar, Portugal ainda vivia sob o Estado Novo. Ao longo da sua carreira, testemunhou a Revolução de 25 de Abril, a adesão à Comunidade Económica Europeia em 1986 e a introdução do euro em 2002. A sua vida profissional atravessou sete décadas diferentes – dos anos 70 aos anos 2020 – algo raríssimo na administração pública portuguesa.

O seu percurso também coincide com momentos marcantes da história consular em Lyon: a mudança de instalações em 1975, um incêndio em maio de 1976 e a receção de dois Presidentes da República – Mário Soares, em 1989, e Jorge Sampaio, em 2005. Trabalhou em dois edifícios consulares, na rue de Créquy e na rue Crillon, acompanhando a evolução dos serviços, das equipas e das necessidades da Comunidade portuguesa.

Ao longo de quase 55 anos de serviço, colaborou com 13 Cônsules-Gerais, além de Vice-Cônsules e Coordenadores técnicos que marcaram diferentes fases da vida consular. A sua longevidade profissional – 657 meses de trabalho, cerca de 20 mil dias ao serviço do Estado – faz dela, muito provavelmente, uma das funcionárias com a carreira mais longa alguma vez registada no Consulado-Geral de Portugal em Lyon. “E nunca estive de baixa” garantiu ao LusoJornal.

“A informação que me deram – e eu não tenho dúvidas nenhumas – é que era a primeira a chegar ao serviço, a última a sair, nunca faltava, e que mesmo para ir para casa foi uma tristeza, e que toda a gente gostava dela” disse o Secretário de Estado Emídio Sousa. “Os meus parabéns e o meu agradecimento em nome do Governo e dos portugueses, porque no fundo, nós estamos ao serviço dos portugueses, e por isso mesmo, muito, muito obrigado”.

Aos 74 anos e 11 meses, deixou o serviço consular apenas dois dias antes de completar 75 anos. A sua saída representa o fim de uma era: a de uma funcionária que viu mudar regimes políticos, estruturas consulares, fluxos migratórios e gerações inteiras de utentes. Mas representa também a continuidade de um compromisso – o de ter servido a Comunidade portuguesa com rigor, humanidade e sentido de missão.

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