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O Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, afirmou ontem que a Temporada Cruzada entre Portugal e França vai ser adiada, considerando ainda que a retoma da dinâmica económica entre os dois países vai acontecer antes do esperado. “Continuo a achar que será um momento crucial durante o tempo de uma geração para definitivamente consolidar as relações entre França e Portugal. Houve apenas um adiamento”, afirmou o diplomata em declarações à Lusa.

A Temporada Cruzada França-Portugal, deveria ter lugar em simultâneo nos dois países de julho de 2021 a fevereiro de 2022 e contaria com uma programação comum pluridisciplinar, não só cultural mas de intercâmbio também nas áreas da investigação científica, turismo ou educação. Esta iniciativa terá agora lugar no ano de 2022, segundo fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“Eu estou mais ou menos otimista que vamos poder, até possivelmente mais perto do que imaginamos, retomar esse lado de que Portugal estava mais conhecido e que havia mais contactos em França. Houve um adiamento de algumas coisas, algo inevitável”, referiu Jorge Torres Pereira.

Estas declarações aconteceram à margem da cerimónia do 10 de junho em Paris, que este ano se resumiu à deposição de uma coroa de flores junto ao busto de Luís de Vaz Camões no 16º bairro capital francesa, com a presença dos membros da Embaixada e alguns representantes da Comunidade portuguesa em França. A tradicional festa na Embaixada portuguesa não vai acontecer.

Apesar dos constrangimentos causados pela pandemia, o Embaixador português considera que este momento vai mostrar a solidez das relações bilaterais entre os dois países, já que a pandemia surgiu num momento em que Portugal se afirmava em diversas áreas em França. “É o momento em que se vai ver que o que se passava entre Portugal e França é do domínio estrutural e não apenas de conjuntura. Com o número de interesses cruzados no domínio económico, não há razão para que haja uma quebra, terá é de haver uma recuperação das duas economias”, indicou o diplomata.

A recuperação da dinâmica entre os dois países deve acontecer já no início de 2021.

“Estamos nesta fase a consolidar o que vai ser necessário fazer, vamos ter tudo em ordem até ao verão para que depois até ao final do ano, em janeiro, possamos lançar a recuperação económica, quer pelo Governo português, quer pelas autoridades francesas”, afirmou, esclarecendo que os contactos entre a Embaixada e organizações como o MEDEF, principal confederação dos patrões em França, se têm vindo a multiplicar.

Quanto ao regresso dos turistas franceses a Portugal, Jorge Torres Pereira é prudente, apontando que as próximas semanas serão decisivas. “O mais importante será nesses prazos a perceção das pessoas que o cabo foi dobrado e ainda nos faltam algumas semanas para estarmos cientes se os Franceses se sentirão ou não à vontade para fazer férias fora de França”, sublinhou o Embaixador.

Já a Comunidade portuguesa em França, respeitando todas a normas de segurança, pode começar a preparar a viagem. “Claro que temos de agir com o mesmo civismo e precaução que demonstrámos até agora, mas claro, a sardinha gorda está à nossa espera”, concluiu.

 

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